Uma médica vietnamita salvou a vida de uma passageira de 50 anos que sofreu uma parada cardiorrespiratória durante um voo da Vietnam Airlines, na última terça-feira, 20 de outubro. A doutora Pham Thi Van Thanh ouviu um chamado urgente pelos alto-falantes e correu descalça para socorrer a australiana, que estava inconsciente e sem pulso perceptível na aeronave que seguia de Hanói para a cidade de Ho Chi Minh.
O incidente ocorreu apenas 30 minutos após a decolagem do voo VN215. A passageira ficou pálida, perdeu a consciência e deixou de respirar. Enquanto comissários de bordo iniciaram compressões torácicas, a chefe da cabine perguntava se havia algum profissional de saúde entre os passageiros. A médica, que estava usando fones de ouvido, percebeu o chamado e saiu correndo sem sequer calçar os chinelos.
Após 3 a 5 minutos de manobras de reanimação, a passageira começou a movimentar um dos braços e voltou a respirar espontaneamente. A melhora permitiu que o avião prosseguisse até o destino, sem pouso de emergência. A mulher recuperou a consciência e conseguiu conversar com a equipe antes do fim da viagem.
Desafio em espaço apertado
Quando chegou à parte traseira da aeronave, Pham Thi Van Thanh encontrou a passageira caída, enquanto os comissários tentavam reanimá-la. A médica assumiu as compressões torácicas, mas enfrentou uma dificuldade inesperada: quase não havia espaço para movimentar o corpo e aplicar a força necessária.
O corredor entre as fileiras de assentos era estreito, e a passageira tinha porte físico grande. “Tive que ficar numa posição difícil, com uma perna entre as pernas da paciente e a outra próxima à axila, para manter o equilíbrio e conseguir fazer as compressões”, contou a médica ao jornal Tuổi Trẻ, em entrevista publicada na quarta-feira, 21.
Mesmo com a posição desconfortável, ela continuou o atendimento até perceber os primeiros sinais de recuperação. Poucos minutos depois, o braço direito da paciente começou a se mover e a respiração voltou gradualmente.
Cuidados após a reanimação
A recuperação inicial trouxe outro desafio. A mulher apresentou náuseas e começou a vomitar. Para impedir que o vômito entrasse nas vias respiratórias, a médica virou a paciente de lado e pediu que os passageiros próximos deixassem os assentos livres, ampliando o espaço para o atendimento.
Depois, ela verificou a pressão arterial, que estava em apenas 80 por 50 mmHg, valor considerado baixo. Diante da possibilidade de queda da glicose, a médica orientou a equipe a preparar água morna com açúcar. A passageira, já consciente e capaz de engolir, recebeu a bebida.
15 minutos depois, a pressão subiu para 100 por 60 mmHg. A pele e os lábios recuperaram gradualmente a coloração normal, e a mulher já conseguia conversar. A equipe continuou monitorando a passageira durante o restante do voo.
Retorno para casa e experiência da médica
A mulher havia passado 14 dias viajando pelo Vietnã e retornava para a Austrália. Ela embarcou em Hanói e faria uma conexão na cidade de Ho Chi Minh antes de seguir para Melbourne. A identidade da passageira não foi divulgada.
Ao desembarcar no Aeroporto Internacional Tan Son Nhat, ela recebeu avaliação de profissionais de saúde. A reportagem vietnamita informou que a passageira foi considerada apta a continuar a viagem naquela noite. A causa da emergência também permanece desconhecida. Inicialmente, a médica considerou a possibilidade de infarto. Depois, avaliou outras hipóteses, como um problema neurológico, incluindo AVC.
Pham Thi Van Thanh é uma médica vietnamita com mais de 20 anos de experiência no atendimento hospitalar. Ela trabalhou durante 23 anos no Hospital Cho Ray, uma das instituições médicas mais conhecidas de Ho Chi Minh, com atuação na área de endoscopia. Atualmente, presta consultoria técnica para unidades de saúde.
A experiência em situações críticas ajudou a profissional a agir rapidamente, mesmo diante das dificuldades de realizar um procedimento de emergência dentro de um avião. “Eu atendia frequentemente pacientes em estado crítico no Hospital Cho Ray, então não fiquei tão surpresa ao enfrentar uma situação de emergência no avião”, contou ao VnExpress.
A história também destaca o trabalho dos comissários de bordo, que começaram a reanimação antes da chegada da médica e permaneceram ao lado dela durante todo o atendimento. A reação conjunta evitou que a passageira permanecesse sem assistência enquanto a aeronave ainda estava no ar.
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