Janela de importação de etanol pelo Brasil deve ser reaberta entre dezembro e janeiro

Importação de etanol pelo Brasil deve voltar entre dezembro e janeiro

Mercados

A janela de importação de etanol do Brasil, aproveitada principalmente por fornecedores de combustível dos Estados Unidos, tem previsão de reabertura entre dezembro e janeiro. A projeção foi divulgada pela corretora StoneX e pela consultoria Argus, mesmo diante da expectativa de uma produção recorde do biocombustível no país para o ciclo 2026/27.

A expectativa da corretora é que o acesso seja liberado para desembarques no porto de Suape, indicando que o primeiro trimestre de 2027 repetirá o movimento visto no mesmo período de 2026, quando o etanol anidro desembarcou em território pernambucano.

“A nova previsão surpreende, em uma safra com expectativas de produção recorde de etanol”, disse Maria Lígia Barros, responsável por precificação de etanol da Argus, à Reuters.

De acordo com a especialista, a perspectiva de importação se sustenta na leitura de um equilíbrio mais restrito entre oferta e demanda até o encerramento da temporada. O cenário reflete os impactos das chuvas do El Niño na moagem de cana no centro-sul, somados aos incentivos fiscais concedidos ao etanol hidratado pelo governo.

As paralisações recorrentes na moagem afetam com mais intensidade o etanol anidro, visto que sua fabricação demanda processos extras, pontuou a Argus. A consultoria também lembrou que o hidratado conta com isenção de PIS/Cofins até 9 de novembro.

Volume e custos das compras externas

Segundo estimativas da Argus, o país poderá adquirir entre 150 milhões e 200 milhões de litros de etanol no intervalo de outubro de 2026 a março de 2027. Contudo, a maior parte dos carregamentos deve se concentrar nos meses de dezembro de 2026 a fevereiro de 2027. No ciclo passado, o volume importado alcançou 228,3 milhões de litros, conforme levantamento da consultoria.

O processo de importação brasileiro é acionado quando os gastos para trazer o produto norte-americano — englobando frete, câmbio, imposto de 18% e despesas portuárias — ficam inferiores às cotações do etanol anidro produzido no mercado doméstico nordestino.

Balanço comercial do setor

As compras externas registraram alta no começo do ano, resultando em um resultado negativo para a balança comercial do setor entre janeiro e março. Na ocasião, o biocombustível dos EUA chegou ao Nordeste com valores mais competitivos que o similar nacional, superando a taxa alfandegária de 18%, destacou a StoneX.

A partir de abril, o fluxo comercial do setor recuperou o saldo positivo, apontou a corretora. Por outro lado, as vendas externas brasileiras de etanol recuaram 17% no acumulado anual, somando 1,03 bilhão de litros. O recuo foi influenciado pela retração de 34,1% na procura por etanol industrial, ao passo que os envios do tipo combustível cresceram 31,7%, detalhou a instituição.

O cenário projetado considera a estabilidade nos fretes, a valorização das cotações internas e a desoneração do produto dos Estados Unidos, fatores que tendem a diminuir a distância de preços durante o período de entressafra da cana no Brasil, de dezembro a março.

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