Diante de um cenário de maior cautela na concessão de crédito, o Bradesco segurou as despesas e conseguiu entregar um crescimento no lucro, mas deve seguir cauteloso nos empréstimos em meio ao alto endividamento dos brasileiros.
O resultado líquido somou R$ 7,1 bilhões no terceiro trimestre deste ano, um aumento de 0,8% na comparação trimestral e de 14,6% na anual, segundo balanço divulgado nesta quinta-feira (22). O número veio em linha com a média de projeções de analistas consultados pela Bloomberg, de R$ 7,116 bilhões.
“O mercado de crédito está mais restrito. A taxa de juros se mantém em patamar elevado e a economia desacelera. É cenário desafiador para todos. Vimos nossas receitas relacionadas a crédito crescerem menos, mas conseguimos compensá-las com receitas não oriundas de crédito e bom controle de despesas”, disse o CEO do banco, Marcelo Noronha, em comunicado.
As despesas operacionais caíram 1% em um ano e 0,7% no trimestre. Já a margem com clientes líquida teve redução de 2% no ano e de 3,5% em três meses.
“Olhando para frente, mantemos cautela e apetite ao risco moderado, e firme propósito de continuar executando em ritmo acelerado o nosso plano de transformação”, disse o Bradesco, acrescentando que a pressão na inadimplência leva a ajustes na exposição de certos grupos de clientes.
Segundo o executivo, o banco priorizou empréstimos com garantia, clientes com boa avaliação de crédito e outras linhas de receitas não relacionadas ao crédito, como receitas de serviços com gestão de recursos, mercado de capitais, cartões, assessoria financeira e consórcios.
A carteira de crédito total do banco terminou setembro em R$ 1,15 trilhão, alta trimestral de 1% e anual de 11%. O maior crescimento foi em pessoas jurídicas, cujo estoque aumentou 14%.
Entre as linhas que mais cresceram estão financiamento de veículos para pessoas físicas, cartão de crédito para alta renda e empréstimos a grandes empresas. Com foco em linhas mais seguras, o banco dobrou a carteira de consignado privado em um ano e reduziu o crédito pessoal em 2,5%.
O índice de inadimplência, considerando atrasos superiores a 90 dias, ficou em 4,6%, um aumento de 0,3 ponto percentual em três meses e 0,5 ponto percentual no ano.
Como nos trimestres anteriores, houve mais atrasos no segmento de MPME (micro, pequenas e médias empresas). Essa linha está com 4,9% dos empréstimos em atraso, ante 4,4% em junho e 3,7% em setembro de 2025.
Porém, o crédito a pessoas físicas ainda tem a maior inadimplência, com 5,8% da carteira, ante 5,5% de junho e 5,4% há um ano.
“Os atrasos desse produto corresponderam por cerca de metade da evolução da inadimplência total. Além disso, houve atrasos sazonais nas operações do Banco John Deere, que pressionaram os indicadores de pessoas físicas”, diz o balanço.
A provisão para perdas esperadas somou R$ 10,6 bilhões no trimestre, salto de 24,3% em um ano e de 6,6% em três meses. Segundo o banco, o aumento é resultado da reavaliação do risco das safras de crédito antigas, especialmente de crédito rural e de pessoas físicas, e reflete a expansão da carteira de crédito.
O ROAE (retorno recorrente gerencial sobre o patrimônio líquido médio anualizado), indicador de rentabilidade do banco, ficou em 16,1%, sem considerar o aumento de capital do banco.
O Bradesco aumentou sua capitalização em R$ 10 bilhões via emissão de novas ações em Bolsa, o que, segundo a instituição, possibilitará a sustentação de investimentos em tecnologia, eficiência comercial e expansão dos negócios. Ou seja, um caixa mais robusto daria fôlego para a instituição acelerar o processo de transformação sob a gestão de Noronha.
“Bem capitalizados, estamos ainda mais fortes para continuar a investir na nossa transformação, almejando ganhos de competitividade e maior satisfação dos nossos clientes”, disse o CEO.
O braço de seguros do Bradesco teve um lucro líquido de R$ 2,9 bilhões, uma queda de 1,9% na comparação trimestral, mas alta de 14,1% na anual.
O Bradesco, sob o comando de Noronha desde novembro de 2023, tenta recuperar a sua forma do pré-pandemia, quando o ROAE era superior a 20%.
Além de mudanças estruturais internas, com troca de diretoria, a instituição está remodelando seus produtos, com maior foco em produtos mais rentáveis e menos arriscados, investimento em tecnologia e redução da rede física.
De setembro de 2025 a setembro de 2026, o banco fechou 318 agências bancárias. Considerando todos os postos de atendimento, a presença caiu em 852 unidades, para 3.892.
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