Figuras de destaque da política paranaense, como o ex-prefeito de Curitiba Rafael Greca (MDB), o senador Flávio Arns (PSB), o ex-prefeito Gustavo Fruet (PDT) e o ex-ministro da Saúde do governo Fernando Collor, Alceni Guerra (PSB), declararam suporte à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno. As adesões ganharam força durante a visita do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) a Curitiba, realizada nesta terça-feira (20), em meio aos esforços de mobilização da campanha petista na região.
Esses apoios divergem abertamente da postura adotada pelo governador Ratinho Junior (PSD) e pelo governador eleito Sergio Moro (PL), que mantêm aliança com a candidatura de Flávio Bolsonaro (PL). A posição de Greca também vai na contramão de seus aliados no estado. O ex-prefeito concorreu nas eleições estaduais deste ano como candidato a vice-governador na chapa de Sandro Alex (PSD), apoiada por Ratinho Junior e derrotada por Moro ainda no primeiro turno.
Desafios às diretrizes partidárias
Governador de Curitiba por três mandatos, Greca oficializou seu voto em Lula durante um sarau na capital paranaense na segunda-feira, 19. Em sua fala, criticou a influência dos Estados Unidos sobre o Brasil e enfatizou a importância de políticas públicas voltadas para saúde, educação e cultura. “Não tem música de direita nem de esquerda, porque o gaiteiro, para tocar, precisa das duas mãos, a direita e a esquerda”, afirmou.
A atitude do político também contraria as diretrizes do MDB no Paraná, sigla que declarou apoio a Flávio Bolsonaro. Greca havia deixado o PSD em março para ingressar no MDB com o objetivo de disputar o pleito estadual. Durante sua passagem por Curitiba, Alckmin celebrou a manifestação do ex-prefeito e defendeu a ampliação das alianças em prol da candidatura de Lula.
Encontro e novos apoios
Outro nome de peso a se alinhar ao projeto foi o senador Flávio Arns (PSB), presente no ato “Paraná pela Virada”, realizado na terça-feira (20) junto a Alckmin. Arns ressaltou a habilidade do vice-presidente de dialogar com múltiplos setores econômicos, dialogando tanto com o agronegócio quanto com o empresariado.
“A gente deseja que o presidente Lula faça um mandato extraordinário com o apoio de Geraldo Alckmin. O Geraldo Alckmin é respeitado no agro, é muito respeitado no comércio, na indústria, nos empresários, nos bancos, e isso a gente viu no tarifaço”, declarou o senador.
A trajetória de Arns abrange diferentes correntes partidárias: ele atuou como deputado federal pelo PSDB, senador pelo PT entre 2003 e 2011, além de vice-governador do Paraná na gestão de Beto Richa (PSDB) de 2011 a 2014. Também chefiou a Secretaria de Estado da Educação e atualmente integra o PSB, mesma legenda de Alckmin.
Histórico político e o SUS
O evento contou ainda com a presença do ex-prefeito de Curitiba Gustavo Fruet (PDT), que declarou voto na reeleição do petista. Gestor da capital entre 2013 e 2016 e ex-deputado federal com passagens por MDB e PSDB, Fruet integrou a oposição aos governos do PT durante parte de sua atuação no Congresso Nacional.
Já Alceni Guerra (PSB), titular do Ministério da Saúde na gestão de Fernando Collor entre 1990 e 1992, reforçou o time de aliados. Ex-prefeito de Pato Branco e ex-deputado federal, Alceni compartilha uma relação de longa data com Alckmin, com quem trabalhou na Assembleia Nacional Constituinte de 1988.
No encontro em Curitiba, o ex-ministro recordou a atuação conjunta na formulação das bases do Sistema Único de Saúde (SUS). “Eu tive a honra de redigir, e ele de relatar. E assim nós temos o melhor sistema público de saúde do mundo”, declarou.
Ao contrário dos demais anúncios desta semana, a decisão de Alceni em relação a Lula não representa uma novidade. O ex-ministro já havia declarado voto no petista no segundo turno das eleições presidenciais de 2022, ocasião em que enfatizou a defesa do SUS e sua proximidade política com Alckmin.
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