Mais de uma década após introduzir Geralt de Rívia em uma das jornadas mais icônicas dos videogames, The Witcher 3: Wild Hunt segue acumulando conquistas e mantendo-se no centro das atenções. O RPG desenvolvido pela CD Projekt Red superou a impressionante marca de 65 milhões de cópias comercializadas, ganhou uma versão remasterizada em 2026 e já tem uma expansão inédita chamada Songs of the Past confirmada para o ano de 2027.
O que sustenta a popularidade de um título por tanto tempo em um mercado repleto de estreias constantes? De acordo com Karolina Nieweglowska, diretora de Experiência e Segurança dos Jogadores do estúdio, a resposta transcende os gráficos de ponta, os sistemas de combate ou a vastidão do mapa, residindo na habilidade de conceber narrativas dotadas de significado para o público.
Em uma entrevista concedida ao VOXL, Nieweglowska e o engenheiro especialista em renderização Tim Green — integrante da equipe desde os primórdios da franquia — debateram os pilares da longevidade do RPG. Para ambos, a atenção minuciosa aos detalhes, a excelência na construção narrativa e a inserção de dilemas estritamente humanos em um cenário fantástico justificam o retorno contínuo dos fãs ao Continente.
Videogames como forma de arte
Com uma trajetória de mais de 15 anos na CD Projekt Red, Nieweglowska passou pelo controle de qualidade (QA) e suporte técnico até assumir cargos de liderança envolvendo legislação, segurança e experiência do usuário. Essa vivência moldou sua visão sobre o triunfo de The Witcher 3, cuja persistência estaria ligada ao propósito de gerar memórias duradouras mesmo após o término dos créditos.
“Minha definição é que fazemos jogos bonitos e pensados com cuidado”, explicou Nieweglowska. “Quando estamos criando esses jogos, a intenção de muitas das pessoas envolvidas é fazer deles uma forma de arte.”
Apesar de reconhecer o papel dos jogos como entretenimento e fenômeno da cultura pop, a executiva defende que tais aspectos não anulam a capacidade de evocar emoções profundas, unindo o fantástico a vivências que ressoam por anos.
Missões secundárias marcantes
A profundidade das missões secundárias, que evitam a mesmice das tarefas repetitivas de busca, é apontada como outro diferencial do estúdio. Em vez de exigir apenas a coleta de itens, tais missões trazem reviravoltas, humor e conexões com o cotidiano.
“Queremos que as coisas que as pessoas vivenciam nos nossos jogos também sejam significativas”, afirmou Nieweglowska.
A atração pela saga de Geralt se sustenta justamente na humanidade dos conflitos. Embora o protagonista lide com monstros e maldições, as tramas envolvem escolhas difíceis e laços familiares universais.
“Queremos que esses jogos continuem sendo realistas no sentido de serem identificáveis para os seres humanos”, resumiu a diretora, comparando a obra a livros clássicos que resistem ao teste do tempo. “Você pode ler um livro que foi escrito há 100 anos, mas se existe algo que se conecta com você, será possível aproveitar, independente de quando foi criado. É a mesma coisa com games”, explica a desenvolvedora.
O mundo aberto e os detalhes
Tim Green corrobora a visão da colega de forma direta. “É un jogo realmente muito bom. As histórias são incríveis, e ele continua bonito mesmo hoje em dia”, avaliou o engenheiro, que ingressou na empresa em 2013. Ele destaca que até mesmo os famosos pontos de interrogação no mapa de Skellige escondem pequenas histórias que enriquecem a exploração e dão vida ao universo do bruxo.
Questionada sobre o planejamento desse sucesso longevo, Nieweglowska pondera que prever o alcance de uma obra antes do contato com o público é uma tarefa complexa. No entanto, ela celebra a durabilidade do projeto e destaca que a preservação de longo prazo já integra o DNA da CD Projekt Red, estratégia também aplicada a Cyberpunk 2077.
“Como ainda estamos voltando aos nossos jogos que lançamos há bastante tempo, como The Witcher, há 11 anos, isso mostra que essa é, de certa forma, uma característica da nossa maneira de trabalhar, sabe? É importante estarmos preparados para o futuro”, explica a diretora.
“Mas, ao mesmo tempo, sempre que fazemos essas atualizações e criamos patches, precisamos acompanhar as mudanças no ambiente ao nosso redor. As gerações de consoles mudam, a tecnologia evolui e, com isso, precisamos atualizar, por exemplo, os requisitos técnicos e os requisitos de sistema do jogo”, complementa. “É um desafio, porque existem muitas variáveis.”
Expansão e remasterização
O momento atual consolida essa política de reinvestimento. A edição remasterizada estreou em setembro de 2026 para PC, PlayStation 5, Xbox Series X|S e Nintendo Switch 2, oferecendo upgrade gratuito para proprietários anteriores.
Paralelamente, a desenvolvedora desenvolve Songs of the Past, terceira expansão agendada para 2027. O conteúdo servirá para unir veteranos e novatos, pavimentando o terreno para o lançamento de The Witcher 4, programado pelo estúdio para 2028.
What do you feel about this post?
Like
Love
Happy
Haha
Sad
