Uma falha de segurança na ConnectWise abriu caminho para que hackers patrocinados pelo governo chinês comprometessem mais de 2.250 ambientes corporativos na nuvem da Microsoft. A investida cibernética fez uso de agentes de inteligência artificial para dar velocidade aos ataques, obtendo acesso privilegiado aos sistemas em um intervalo inferior a três horas.
Em um comunicado divulgado na quarta-feira (21), a divisão Microsoft Threat Intelligence apontou que a facção cibernética Storm-0940 utilizou uma ferramenta de código aberto nomeada ARTEX. O software cumpre a função de automatizar procedimentos como a busca por vulnerabilidades, o furto de credenciais e a invasão de dados.
O problema afetou diretamente a ConnectWise, corporação focada em softwares de gerenciamento de tecnologia da informação, que precisou interromper serviços em nuvem após constatar acessos indevidos em credenciais. A companhia paralisou soluções como Cloud Backup, SaaS Security e Cloud Management com o objetivo de conter a brecha.
O chefe-executivo da ConnectWise, Manny Rivelo, afirmou que a empresa isolou as conexões afetadas e iniciou um processo gradual de restauração dos serviços. “Atores estatais visam cada vez mais a cadeia de suprimentos de software porque uma única conexão confiável abre a porta para várias organizações”, explicou o executivo, em entrevista ao portal especializado The Register.
A velocidade da inteligência artificial no ataque
O grupo Storm-0940 atua desde 2021 com foco em roubo de dados e utiliza táticas tradicionais combinadas com novas tecnologias. Entre 10 e 14 de outubro, os hackers realizaram mais de 151 mil tentativas de login em contas de oito organizações, sem sucesso inicial, segundo o relatório da Microsoft Threat Intelligence.
Na sequência, os invasores alteraram a tática para explorar credenciais de aplicativos da ConnectWise que já possuíam a confiança dos sistemas. Com o suporte da inteligência artificial, o coletivo executou aproximadamente 2.900 tentativas de autenticação por minuto contra os inquilinos da Microsoft 365.
Os pesquisadores da gigante tecnológica detalharam que a tecnologia atuou para contornar barreiras defensivas em tempo recorde:
Os agentes de inteligência artificial operando em nome do grupo continuaram a usar a mesma faixa de IP para autenticar nos ambientes dos clientes por meio do acesso ilícito adquirido, aproveitando a confiança já estabelecida
Impacto na cadeia de suprimentos e próximos passos
A ofensiva impactou diferentes mercados ao redor do globo, abrangendo áreas como defesa, tecnologia, finanças e governo. A rapidez viabilizada pela automação diminuiu drasticamente o intervalo que as equipes de segurança possuíam para identificar e barrar a invasão.
A ConnectWise comunicou que os arquivos de backup existentes seguem criptografados e separados, sem indícios de violação direta dos dados armazenados. Em comunicado publicado no centro de confiabilidade, a organização pontuou: “Reconhecemos a contínua interrupção e permanecemos focados em restaurar o serviço com segurança”.
As equipes de engenharia, os especialistas terceirizados em resposta a incidentes contratados pela empresa e os analistas de segurança da Microsoft continuam monitorando o cenário, segundo as atualizações divulgadas pela ConnectWise e os relatórios técnicos do Microsoft Threat Intelligence.
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