Inflação subjacente do Japão ultrapassa meta e reforça possibilidade de aumento dos juros no curto prazo

Inflação do Japão supera meta e abre caminho para alta de juros

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A inflação básica ao consumidor do Japão superou a meta de 2% estabelecida pelo banco central em setembro, registrando esse patamar pela primeira vez em nove meses, conforme dados oficiais divulgados nesta sexta-feira. O movimento indica uma ampliação das pressões sobre os preços no país asiático, fortalecendo as projeções de que o custo dos empréstimos poderá subir em breve.

O cenário reflete o impacto de fatores como o encarecimento dos combustíveis provocado pelo prolongado conflito no Oriente Médio, os valores elevados das importações devido à desvalorização do iene e a forte demanda por inteligência artificial, que acabaram atenuando o efeito dos subsídios estatais para a energia.

Embora tenha elevado as taxas de juros no mês passado, o Banco do Japão tende a manter a atual política monetária inalterada na próxima semana. No entanto, autoridades da instituição indicam que o órgão poderá revisar para cima sua projeção inflacionária e sinalizar abertura para continuar elevando as taxas, que permanecem em patamares baixos.

“Espera-se que a inflação subjacente acelere devido ao aumento dos custos de energia decorrentes do conflito no Oriente Médio e aos efeitos de segunda ordem decorrentes disso”, afirmou Masato Koike, economista sênior do Sompo Institute Plus.

“Mas, como os aumentos de preços não estão se acelerando de forma acentuada, há pouca necessidade de um novo aumento consecutivo dos juros em outubro”, complementou o especialista, apostando que o próximo reajuste promovido pelo Banco do Japão aconteça apenas em dezembro.

Comportamento dos índices de preços

O índice de preços ao consumidor básico — que desconsidera os alimentos frescos, conhecidos pela alta volatilidade, mas engloba os combustíveis — apresentou alta de 2,1% em setembro na comparação com o mesmo mês do ano anterior. O resultado veio em linha com a projeção mediana do mercado, acelerando em relação ao avanço de 1,7% contabilizado em agosto.

Outro indicador acompanhado de perto pelo Banco do Japão como termômetro mais fiel das pressões inflacionárias impulsionadas pela demanda exclui simultaneamente os alimentos frescos e os combustíveis. Este índice subiu 2,4% em setembro ante o mesmo período do ano passado, avançando na comparação com o resultado de 1,9% visto em agosto.

Mostrando que a inflação ganha fôlego em diferentes setores, os preços dos bens registraram alta de 2,8% em setembro na base anual, superando o ritmo de 2,6% de agosto. No setor de serviços, a inflação também ganhou tração e foi a 1,5% no mês passado, frente aos 1,2% de agosto, refletindo o repasse de custos mais altos de mão de obra por parte das empresas em um mercado de trabalho restrito.

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