O outono já havia começado oficialmente há um mês no hemisfério Norte, mas o cenário na Espanha era de pleno verão: calor intenso, praia lotada com pessoas correndo, nadando e crianças construindo castelos de areia em um mar tão cristalino que era possível avistar peixes na beirada. Moradora fora do Brasil há quase dez anos, a autora relata ter aproveitado a praia com seu bebê de quatro meses antes do inverno rigoroso, um reflexo do alto preço que o planeta está pagando com ondas de calor cada vez mais fortes na Europa.
“Este verão foi muito longo. Fez 38 graus aqui no fim de setembro, nunca tinha visto isso”, disse-me o funcionário espanhol do hotel onde me hospedei.
Cientistas sempre alertaram que eventos climáticos extremos seriam mais frequentes e intensos se nada fosse feito para limitar o aquecimento do planeta causado pela ação do homem, com a emissão de gases poluentes de combustíveis fósseis, atividades como a pecuária e desmatamento.
No entanto, em períodos eleitorais, pautas ambientais costumam ficar em segundo plano diante de demandas como segurança, saúde e educação, embora tenham impacto direto e profundo em nossas vidas.
O impacto na saúde e no esporte
Para quem gosta de praticar atividade física, mudanças climáticas aumentam o risco de morte pelo calor e as doenças causadas pela poluição. Todos sofrem —do amador ao competidor de elite.
Cenas de atletas profissionais passando mal em torneios de futebol, tênis, vôlei de praia, triatlo e outras modalidades já fazem parte da rotina. A maratona olímpica em Tóquio teve o horário alterado para mais cedo por causa das altas temperaturas, enquanto a escassez de neve reduz a cada ano o número de países aptos a sediar Jogos de Inverno.
Trazendo o problema para o nosso dia a dia, gestores que se importam com a emergência climática serão mais inclinados a buscar ou aprovar políticas públicas que criem e preservem espaços verdes e nos ajudem a respirar um ar menos poluído.
Eles respeitarão órgãos ambientais e leis que protegem o meio ambiente. Vale destacar que de agosto de 2025 a julho deste ano, o desmatamento na Amazônia foi o menor em quase quatro décadas, e isso não aconteceu por acaso.
As florestas armazenam gás carbônico, ajudam a regular a temperatura da Terra e salvam nossas vidas, tornando inaceitável a negação do aquecimento global.
Ser brasileiro significa aprender desde cedo a importância de cuidar da natureza. É um privilégio ouvir o barulho dos pássaros, conviver com animais silvestres até em áreas urbanas, passear em parques, dar um mergulho no mar, praticar esportes ao ar livre em qualquer momento do ano. Quem sabe a causa ambiental possa nos unir neste momento.
Se você ama a natureza e atividades físicas, vale refletir neste fim de semana. Se não pelo esporte que você pratica, pelos filhos, netos e crianças com quem convive, pois são as futuras gerações que vão sofrer as piores consequências de um planeta que não para de aquecer.
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