Aos 83 anos, aposentada volta a estudar depois de perder o marido, conclui ensino fundamental e decide que ainda quer chegar à faculdade

Aos 83 anos, idosa se forma no ensino fundamental e mira faculdade

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Aos 83 anos, Lourdes Batigalhia concluiu o ensino fundamental em Araraquara, no interior paulista, encerrando uma etapa que não pôde finalizar em sua juventude. A cerimônia realizada em 8 de julho de 2026 marcou sua formatura na Educação de Jovens e Adultos (EJA), após um período difícil provocado pela morte do marido. A conquista foi concreta, mas não representa o fim da trajetória desejada: Lourdes já anunciou que pretende seguir para o ensino médio e, posteriormente, tentar uma faculdade.

O retorno aos estudos após o luto A decisão veio justamente depois da perda do cônjuge. Diante da tristeza intensa, retomar as aulas tornou-se uma maneira de organizar os dias em torno de tarefas, colegas e avanços perceptíveis. A escola ofereceu uma atividade significativa, embora sem substituir o cuidado e o apoio necessários em momentos assim.

Em sua juventude, as meninas ao redor eram orientadas primordialmente para tarefas domésticas e cuidados familiares, fazendo com que a educação escolar perdesse espaço. Décadas mais tarde, matricular-se na EJA permitiu resgatar uma oportunidade interrompida por antigas expectativas sociais.

A formatura e os ganhos no dia a dia Na solenidade de 8 de julho de 2026, Lourdes celebrou a conquista ao lado de outros 35 alunos da turma. Mais do que registrar um recorde de idade, o certificado simboliza uma nítida melhora na leitura, na escrita e na comunicação, facilitando desde a compreensão de textos até a expressão de ideias com mais segurança.

O percurso reuniu conquistas fundamentais: – Frequentar as aulas após muitos anos longe da escola. – Praticar leitura e escrita de maneira continuada. – Conviver com colegas em diferentes etapas da vida. – Concluir formalmente o ensino fundamental e planejar o próximo ciclo.

O impacto na rotina familiar A filha Eliane Zinato relatou que as aulas ajudaram a mãe a encontrar nova motivação após o falecimento do pai, tornando a mudança visível também fora da sala de aula. A presença de estudantes idosos reforça que o ensino básico não possui um único momento cronológico correto.

Olhando para o futuro Antes de pensar em uma graduação, Lourdes planeja cursar o ensino médio. A vontade de chegar à faculdade expressa um objetivo claro, cuja continuidade dependerá de aulas acessíveis, condições pessoais e de suas próprias escolhas.

Superando as barreiras do passado, a idosa transformou uma etapa que parecia encerrada em um novo começo, provando que nunca é tarde para sonhar e continuar aprendendo.

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