Renda fixa pode dar prejuízo? Especialista da XP explica os riscos

Renda fixa pode dar prejuízo? Especialista detalha os riscos

Economia

Apesar de ser considerada a opção mais segura para o público conservador, a renda fixa pode registrar perdas em cenários específicos, mesmo quando o investidor já conhece as regras de remuneração do papel. O fenômeno ocorre porque os preços dos ativos sofrem variações conforme o comportamento do mercado, impulsionados principalmente por alterações nas taxas de juros.

O assunto foi debatido por Mayara Rodrigues, analista de Credit Research de Renda Fixa da XP, durante o Conexão Investidor 2026, realizado em São Paulo (SP). O evento, organizado pela Faz Capital — escritório vinculado à XP —, debate economia e planejamento financeiro com transmissão gratuita até sexta-feira (23). No painel intitulado “Renda fixa é fixa de verdade?”, a especialista debateu com Eduardo Marocke, head de Fundos e Previdência da Faz Capital, os perigos associados a CDBs, títulos públicos, debêntures e outras modalidades.

O que é fixo na renda fixa? Durante a conversa, Mayara pontuou que o maior questionamento do público gira em torno da divergência entre a taxa combinada na compra e a cotação do ativo antes do prazo final.

“Fixo, na verdade, é a taxa de retorno, basicamente, que você contratou para esse tipo de investimento. Não necessariamente o preço”, explicou.

A profissional ressaltou que essa flutuação de valores, chamada de marcação a mercado, tem o potencial de gerar ganhos ou prejuízos para quem opta pela desova antecipada. Contudo, uma desvalorização momentânea não indica prejuízo definitivo para quem segura a aplicação até o vencimento, desde que a instituição emissora honre o acordado.

“Não significa que se você viu um determinado dia o preço ali para baixo, que aquele crédito, aquele título que você comprou, está apresentando algum problema”, afirmou.

Além das oscilações, a analista alertou para o risco de crédito, ligado à hipótese de o emissor dar calote. Esse perigo afeta debêntures corporativas, por exemplo, que não possuem a garantia do Fundo Garantidor de Créditos (FGC). A liquidez também entra na conta, já que a tentativa de negociar o papel antes do prazo pode resultar em um preço abaixo do esperado.

Cenário atrativo com juros altos Mesmo diante de um cenário de corte de juros, a renda fixa segue vantajosa, na visão de Mayara. A projeção da XP aponta para uma taxa Selic em 11,5% ao final de 2027, patamar considerado robusto pela analista. Para iniciantes de perfil conservador, a recomendação pode chegar a uma fatia de 90% ou 100% da carteira nessa classe de ativos, desde que haja diversificação de prazos e indexadores.

Para ilustrar a perda de oportunidades, a especialista comparou o rendimento da caderneta de poupança com outras modalidades. Segundo o levantamento apresentado, com uma Selic a 13,75% ao ano, aplicar R$ 10 mil na poupança renderia cerca de R$ 350 a menos no primeiro ano na comparação com o Tesouro Selic ou um CDB de 100% do CDI, já descontando o Imposto de Renda. A programação do evento também incluiu discussões sobre cenário macroeconômico, criptomoedas e sucessão patrimonial internacional.

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