Startup levanta US$ 200 mi para criar cães 'geneticamente aprimorados' para uso militar

Startup capta US$ 200 mi para criar cães militares aprimorados

Mercados

Com sede no Texas, uma nova empresa focada em tecnologia de defesa conseguiu captar US$ 200 milhões junto a importantes fundos de investimento, como Sequoia Capital e Ark Invest, com o objetivo de reconstruir o plantel nacional de cães de trabalho militar e dar vantagem aos Estados Unidos no campo de batalha.

Batizada de Warhound, a companhia foi idealizada em conjunto pelo empreendedor de software Ben Lamm e pelo cofundador da Anduril, Palmer Luckey. Segundo a organização, o projeto vai “produzir cães de trabalho geneticamente aprimorados” em solo americano, equipando-os com tecnologias de ponta para assegurar que possuam “consciência situacional no campo de batalha”. Após essa rodada de financiamento, a startup atingiu o valor de mercado de US$ 1,2 bilhão, conforme relatado por uma fonte informada sobre a transação.

Desenvolvimento e apoio do Vale do Silício

Ben Lamm, que planejou a iniciativa ao lado de Luckey há um ano e meio, classificou a empreitada como um “programa Capitão América para cães [que] também resolve um problema real relacionado ao bem-estar desses animais”. A proposta excêntrica chamou a atenção de gigantes do setor financeiro e tecnológico, incluindo Lux Capital, Franklin Templeton e a In-Q-Tel, braço de capital de risco fundado pela CIA voltado a tecnologias de segurança nacional e inteligência.

Outra empresa comandada por Lamm, a Colossal Biosciences, é conhecida por focar na clonagem animal, preservação de espécies e na chamada “desextinção”, definida pela organização como “uma aplicação prática de tecnologia avançada de edição genética destinada a reconstruir o DNA de megafaunas extintas”, a exemplo do projeto que busca trazer de volta o mamute-lanoso.

Tecnologia e clonagem a serviço da defesa

Esse know-how tecnológico será aplicado na clonagem e na edição genética de cães voltados ao trabalho operacional. De acordo com Lamm, a medida trará ganhos de eficiência e será mais ética para os bichos, visto que uma parcela expressiva deles acaba reprovando nos treinamentos tradicionais.

“Nossa ideia é: selecionar os melhores cães, armazenar seu material em um biobanco e cloná-los… Além de clonar os cães, seria possível editá-los geneticamente e aumentar sua longevidade e seu desempenho. Isso é mais saudável para o cão, para o bombeiro, o policial ou o combatente”, afirmou Lamm, que integrará o conselho de administração da empresa.

Enquanto isso, a Anduril — reconhecida fabricante de veículos militares, submarinos e drones autônomos e um dos principais nomes da tecnologia de defesa americana — ficará encarregada de projetar a blindagem corporal e os sistemas “cibernéticos” para otimizar a performance dos animais.

“O melhor amigo do homem merece a melhor tecnologia do homem”, declarou Palmer Luckey, que optou por não deter participação acionária na Warhound e não participará da administração diária do negócio.

Liderança e novos horizontes

A gestão da Warhound ficará sob a responsabilidade de David Spirk, veterano ex-fuzileiro naval dos Estados Unidos, que atuou como primeiro diretor de dados do Pentágono e exerceu a função de conselheiro sênior na Palantir Technologies.

O principal objetivo da companhia é suprir a demanda interna por cães de trabalho, uma vez que a maior parte deles é importada de criadores europeus atualmente.

Spirk afirmou: “Liderar a Warhound e fortalecer a capacidade dos Estados Unidos no emprego de cães de trabalho é uma oportunidade de aplicar minha experiência a uma missão com a qual me importo profundamente: proteger as pessoas e ajudar os animais que lhes dão apoio”.

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