Último debate entre Flávio e Lula reedita troca de acusações e avança pouco em propostas

Último debate tem troca de acusações entre Lula e Flávio Bolsonaro

Entretenimento

A dois dias do segundo turno da eleição presidencial, o debate entre os dois candidatos — o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) — na TV Globo foi palco de mais um round de trocas de acusações e avançou um pouco em relação à exposição de planos de governo.

Os candidatos foram para o debate com estratégias específicas de olho no eleitor indeciso. Flávio decidiu focar no custo de vida e prometeu manter programas sociais. Lula chamou a atenção para a defesa da democracia e lembrou que foram os governos petistas que criaram e reforçaram os programas sociais em vigor.

“Em quatro anos de governo, você consegue comprar mais ou menos com o seu salário?”, questionou Flávio.

“Está difícil comprar. Quando você consegue comprar, você está levando menos para a sua casa, esse é o legado do atual governo”, disse Flávio.

Já Lula, não só defendeu a democracia como acusou o adversário de “miliciano”.

“Eu sou um homem que tenho biografia, tenho história”, disse o presidente. “Eu queria, primeiro agradecer… e pedir o voto de vocês no domingo porque ou a gente mantém a democracia funcionando ou a gente vai ter um miliciano governando esse país dentro do ⁠Palácio do Planalto”, disse Lula, em ⁠menção a Flávio que rendeu um direito de resposta ao senador.

Flávio negou ⁠envolvimento com milícia ⁠na sequência — “isso é coisa da sua cabeça” — e prometeu classificar as milícias como narcoterroristas.

A organização do debate chegou a impor regras sobre a circulação dos candidatos, de forma a evitar desgastes ocorridos no debate de domingo na TV Band. Veículos e entidades paralelamente fizeram o acompanhamento do debate para checagem de fatos. Mas ainda assim, houve uma reedição de trocas de acusações e era perceptível o clima de Fla-Flu na plateia, que em alguns momentos chegou a se manifestar.

Lula questionou Flávio sobre posicionamentos públicos ⁠do senador contrários a programas sociais e chegou a perguntar ao senador por que se referiu ao Bolsa-Família como “Bolsa-Farelo”.

Flávio, por sua vez, apontou ⁠a gestão petista dos gastos públicos como responsável pelos juros altos, que resvalam no poder de compra da população. No quesito juros, aliás, Lula lembrou que foi ⁠no governo de Jair Bolsonaro, pai de Flávio, que foi aprovada a autonomia do Banco Central, entidade ⁠responsável pela definição da taxa básica de juros ⁠do país.

Os ⁠candidatos também conseguiram emplacar argumentos e frases com forte apelo, principalmente para os cortes e edições de trechos a serem usados nas redes sociais nessas últimas horas antes da abertura das urnas eleitorais.

Em resposta a Flávio, que referiu-se ao presidente como “nove dedos”, Lula lembrou que perdeu o dedo em um acidente de trabalho.

“Se tem alguém aqui nesse púlpito que sabe o que é o ⁠mundo do trabalho sou eu. Se tem alguém que perdeu o dedo com 17 anos fui eu”, disse Lula, provocando reações da plateia. “Milhões de trabalhadores se acidentam por irresponsabilidade patronal, que obriga a gente a trabalhar em jornada que a gente tem que trabalhar. Eu era menor e trabalhava à noite, porque ou trabalhava ou não comia e não vou aceitar que um granfino, com uma prática política muito duvidosa, venha me chamar de nove dedos.”

Após a dura declaração do presidente, Flávio se desculpou, dizendo que não tinha intenção de ser ofensivo.

O senador, ⁠por outro lado, buscou se apresentar como o candidato da mudança, da novidade.

“Nem parece que ele é o atual presidente da República… Ele parece que parou no tempo. Infelizmente o atual presidente da República, as ideias que ele tinha — que eram boas lá atrás –… hoje não funcionam mais”, afirmou.

Os dois também cometeram deslizes no decorrer do debate. Lula volta e meia se perdia nas regras e precisava ser lembrado pelo moderador que ainda tinha tempo para desenvolver sua fala.

Já Flávio — questionado por Lula sobre sua escolha em atuar na defesa de um policial acusado de matar uma criança de 5 anos em Niterói, no Rio de Janeiro — cometeu um equívoco. Na intenção de prestar solidariedade à mãe da menina, que estava na plateia, se confundiu ao chamá-la pelo nome da criança morta.

Em outro momento, o ex-banqueiro Daniel Vorcaro voltou a ser citado. Lula cobrou Flávio sobre o dinheiro que pediu ao banqueiro — o ⁠senador reafirmou que era para o financiamento de um filme sobre seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro. O senador, por sua vez, acusou Lula de receber um uísque do banqueiro de presente.

Houve ⁠até mesmo uma renovação do desafio de Lula para que os dois abram ⁠suas contas bancárias e provem que não são corruptos.

Flávio Bolsonaro é alvo de dois inquéritos no STF: um que apura suspeitas relacionadas exatamente ao financiamento do filme “Dark Horse” e outro sobre suspeita de lavagem de dinheiro envolvendo o advogado Willer Tomaz.

Mas se Lula não é alvo de investigação criminal conhecida atualmente, Flávio voltou a se concentrar em seu filho, ⁠conhecido como Lulinha, que é investigado pela Polícia Federal sobre suposto tráfico de influência.

Na segunda metade do debate, quando os ⁠ataques e acusações de ambos os candidatos se intensificaram, a plateia começou a se ⁠manifestar e a reagir a respostas dos ⁠presidenciáveis. ⁠O clima, no entanto, foi mais ameno que no debate do último domingo.

What do you feel about this post?

0%
like

Like

0%
love

Love

0%
happy

Happy

0%
haha

Haha

0%
sad

Sad

0%
angry

Angry

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *