Fornecedora de lanchinhos de companhias aéreas fatura milhões e mira o varejo

Gigante dos lanches de companhias aéreas investe milhões para entrar nos supermercados

Economia

A pipoca servida em voos da Azul, os biscoitos distribuídos aos pacientes do laboratório Delboni Auriemo após exames e os chips de batata doce servidos nas salas VIP da Latam compartilham um mesmo fabricante: todos foram fornecidos pela Uni Soluções. Consolidada no mercado corporativo (B2B), a companhia paulista agora planeja expandir sua atuação para as gôndolas dos supermercados.

Para viabilizar essa expansão, o negócio está aplicando R$ 28 milhões na construção de uma nova fábrica com 15 mil metros quadrados em Caieiras, na Região Metropolitana de São Paulo — município onde já mantém uma unidade de 2.800 metros quadrados. Com término agendado para junho de 2027, o projeto serve como base para triplicar a fabricação diária, passando de 180 mil para 545 mil snacks, além de elevar o número de funcionários dos atuais 178 para até 800 trabalhadores.

Trajetória e portfólio

Criada em 2008 pelo empresário Wagner, a organização iniciou as atividades reempacotando kits promocionais. A transição para o setor industrial aconteceu em 2015, quando a gestão optou por verticalizar a produção, focando no mercado de itens saudáveis, livres de glúten e, recentemente, com adição de fibras e proteínas.

O modelo operacional atua como uma vitrine orgânica. Alcançando quase 6 milhões de pessoas mensalmente entre passageiros de avião e pacientes de redes de saúde, a marca já construiu autoridade junto ao público antes mesmo de entrar de vez nas redes varejistas. “O consumidor começa a ter a primeira experiência com esses produtos dentro desses serviços e, consequentemente, busca isso no mercado”, explica o fundador.

Para competir no varejo, a empresa dividiu seu catálogo em submarcas específicas: Unisnacks (snacks), Najus (sucos sem açúcar), Strom (energéticos) e Yapp (bebidas gaseificadas funcionais). Na visão da liderança, a tática é equilibrada. “O mercado B2B dá volume com alta escala e margem mais apertada, dispensando verbas de marketing. No varejo, encontramos margens maiores, mas que exigem investimento em comunicação e posicionamento”, afirma.

Planos futuros

O objetivo de longo prazo da gestão é equiparar as receitas, alcançando uma proporção de 50% proveniente do canal corporativo e 50% do varejo. No período fiscal mais recente, a marca registrou um faturamento de R$ 38 milhões e planeja sustentar a média histórica de crescimento anual entre 10% e 15%.

Além da ampliação industrial, a Uni Soluções também observa o mercado de white label, fabricando produtos sob medida para marcas próprias de grandes redes supermercadistas, e se prepara para estrear no setor de panificação saudável com a introdução de panetones sem glúten.

Atualmente, a companhia possui cerca de 1.500 clientes corporativos ativos, além de parcerias pontuais, efetuando entregas por todo o território nacional através de frota própria no território paulista e transportadoras parceiras nos demais estados. Com a nova planta, o negócio reforça sua relevância no segmento de alimentos funcionais, unindo conveniência e saúde como principais pilares de consumo.

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