O contrato futuro do real mais ativo, com vencimento em novembro de 2026, recuava mais de 9% no mercado futuro da Bolsa de Chicago, às 20h20. O indicador acompanha a apuração acirrada de votos para Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno.
No mesmo horário, com 15,38% das urnas apuradas, Lula tem 49,77% dos votos válidos ante 50,23% de Flávio. Enquanto isso, os mercados preditivos Kalshi e Polymarket passaram a prever a reeleição do presidente. Até o início da apuração, as apostas eram majoritárias para Flávio.
Segundo analistas, se o presidente for reeleito, aumenta o temor de falta de ajustes na trajetória das contas públicas, o que tende a desvalorizar o real ante o dólar. A expectativa de menor controle fiscal tende a elevar o prêmio de risco exigido pelos investidores para financiar o governo, pressionando a curva de juros. Taxas mais altas, por sua vez, podem encarecer o crédito para as empresas e piorar as perspectivas de lucro, pressionando o mercado acionário.
O mercado financeiro também repercute a judicialização do pleito, com a prorrogação do horário de votação por determinação do ministro Cristiano Zanin (STF). Segundo investidores e analistas, a medida abre margem para insegurança jurídica, indepentende de quem saia vitorioso.
“A prorrogação da votação acrescentou uma camada de incerteza institucional a uma eleição que já concentra expectativas importantes sobre a condução da economia. Isso não permite antecipar uma anulação ou uma disputa judicial prolongada, mas coloca esse risco no radar dos investidores”, diz Leonardo Mendes, economista e consultor financeiro da Manchester Investimentos.
Ele afirma ainda que, se a contestação ganhar força e mantiver dúvidas sobre o desfecho eleitoral, a tendência é de maior procura por proteção em dólar, pressão de alta nos juros futuros e maior volatilidade na Bolsa.
“Nesse cenário, investidores podem adiar decisões até terem mais clareza sobre a estabilidade política e a capacidade do próximo governo de executar sua agenda. A reação dependerá da margem final de votos, do conteúdo de eventuais questionamentos e, principalmente, da postura dos candidatos e das instituições. Um resultado reconhecido, acompanhado de respostas rápidas e transparentes, pode reduzir bastante essa tensão”, completa.
Para Marcelo Castro, sócio-diretor da Iepê Investimentos, pode haver uma ação no próprio STF, mas não novas eleições.
“Toda essa confusão que o TSE causou só vai servir para o lado perdedor arrumar uma desculpa, seja que lado for”, diz Castro, que vê potencial prejuízo para o mercado.
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