O litoral do Maranhão recebe diariamente diversos detritos trazidos pelas ondas, mas parte desse material ganha um novo propósito nas mãos de Joilton Tobias Pereira. Morador da Reserva Extrativista de Cururupu, ele recolhe esses resíduos há mais de 15 anos para transformá-los em telas, ecobags e esculturas. Em agosto de 2026, esse trabalho autoral chegou à Feira do Empreendedor, revelando como o descarte marinho pode virar matéria de arte e contar a história das comunidades costeiras.
A seleção dos materiais e temas
Quem caminha pela região convive tanto com o descarte cotidiano quanto com os objetos trazidos pelas correntes. No entanto, nem tudo o que é encontrado serve para a produção: fatores como origem, limpeza, integridade e manuseio são determinantes. A arte com resíduos do mar gera um paralelo interessante, pois recolher um item abre espaço para debater de onde ele veio e para onde deveria ir.
Joilton converte o que recolhe em representações inspiradas em peixes, guarás, pescadores, vegetação, praias e manguezais, além de confeccionar ecobags. Essa escolha temática não é um mero reaproveitamento técnico; ela reflete a vida de quem habita e trabalha naquela costa. A mudança de função do material gera um objeto novo que pode circular e gerar renda, ao mesmo tempo em que retrata um território que poderia passar despercebido em lembranças turísticas genéricas. O resultado visível dessa trajetória é o trabalho contínuo mantido por mais de 15 anos.
Cotidiano e atuação comunitária
Esses elementos visuais refletem a rotina das comunidades da reserva. Os peixes e pescadores ilustram o trabalho e a alimentação, enquanto os manguezais e guarás remetem aos ecossistemas costeiros. Ao retratá-los, o artesão evita transformar a região em um cenário vazio, inserindo pessoas e seres vivos ao lado dos materiais que chegaram à praia após circularem por outros lugares.
Além de sua dedicação no ateliê, Joilton integra a diretoria da Associação de Moradores da Reserva Extrativista de Cururupu. Essa função aproxima sua prática artística de debates cruciais sobre as condições locais, embora sua atuação como criador e como membro diretivo mantenha vínculos distintos que convergem no mesmo território. Para ele, o manguezal é parte de uma paisagem vivida, repleta de usos, desafios e histórias.
O impacto na Feira do Empreendedor
A participação em agosto de 2026 na Feira do Empreendedor funcionou como uma vitrine para ampliar a circulação de suas peças e demonstrar o valor cultural dos resíduos transformados. O evento proporcionou um contato direto entre o público e os objetos, permitindo que os visitantes questionassem sobre a matéria-prima, o artista e a reserva ambiental.
Embora o trabalho de Joilton não substitua políticas públicas de coleta e destinação de resíduos, ele cumpre o papel de dar forma visível a uma questão ambiental urgente e aos saberes tradicionais. Mantendo uma prática consolidada por mais de 15 anos, o artesão faz dos materiais descartados uma ferramenta de expressão que convida o público a olhar com mais atenção para a costa brasileira e seus habitantes.
What do you feel about this post?
Like
Love
Happy
Haha
Sad
