Por que algumas orcas utilizam algas para esfregar o corpo umas nas outras?

Comportamento inédito de orcas que usam algas é registrado

Eventos

Um registro inédito feito no noroeste do Pacífico revelou o momento em que duas orcas nadam juntas enquanto uma tira de alga passa entre seus corpos. A prática foi batizada de allokelping e pode estar ligada tanto a cuidados com a pele quanto à interação social, embora os cientistas ainda busquem compreender sua real função. O aspecto mais curioso é que a vegetação não está apenas flutuando na rota dos animais, pois as baleias a manipulam ativamente enquanto se esfregam mutuamente.

Imagens capturadas por drones em 2024 documentaram orcas residentes do sul, no mar de Salish, manuseando pedaços de kelp, uma alga marinha. Na cena, um dos animais posiciona o vegetal entre o seu corpo e o de um parceiro, mantendo o contato durante o deslocamento. O comportamento foi descrito oficialmente na literatura científica em 2025, recebendo a denominação allokelping por causa do uso compartilhado do material.

Apesar da confirmação da manipulação deliberada da alga e do contato físico entre os espécimes, a exata motivação ainda exige cautela dos especialistas. É impossível questionar os animais para saber se o atrito alivia uma irritação, fortalece um vínculo ou cumpre ambas as finalidades. Embora filmagens sucessivas e o contexto ajudem a criar hipóteses, elas não substituem a comprovação de um benefício médico direto.

Por que usar uma alga para se esfregar? A tira de kelp atua como uma superfície extra entre os organismos marinhos. Os pesquisadores formularam a hipótese de que o atrito pode ajudar na eliminação de células mortas, favorecendo a saúde dermatológica. Além disso, a conduta tem potencial para estreitar laços, já que demanda proximidade e a cooperação de dois indivíduos. Ambas as explicações são viáveis, mas faltam dados específicos para mensurar o impacto de cada fator.

O fato de a alga ser escolhida e mantida durante o toque diferencia o episódio de um encontro casual com plantas marinhas. O cetáceo converte um elemento do habitat em parte de uma tarefa coletiva, enriquecendo o debate sobre o uso de ferramentas por esses animais, sem contudo generalizar a prática para toda a espécie ou sugerir propriedades curativas. A ocorrência destaca três aspectos observáveis:

Uma orca seleciona e manipula um pedaço de kelp. A alga fica entre os corpos de dois animais em movimento. O contato é mantido enquanto o par continua a nadar.

Isso é uma forma de uso de ferramenta? Os autores da pesquisa encaram o manejo da vegetação como uso de ferramenta, pois um objeto externo passa a intermediar uma atividade executada pelos animais. Trata-se de um caso notável por envolver dois corpos simultaneamente, exigindo coordenação para sustentar o material e o contato enquanto o par se movimenta.

Outros mamíferos do mar também interagem com algas de maneiras distintas, a exemplo das lontras que se enrolam nelas para descansar. No caso das orcas, o grande diferencial é o posicionamento da planta entre dois indivíduos durante a fricção.

A descoberta vale para todas as orcas? O registro restringe-se às orcas residentes do sul analisadas naquela zona e período. Como esses animais formam comunidades com hábitos e repertórios próprios, generalizar o hábito para a espécie inteira desconsideraria essa diversidade. Inclusive dentro daquele grupo filmado, seriam necessárias mais análises para mensurar a frequência, os participantes e as circunstâncias do ato.

A observação é valiosa justamente por documentar uma conduta específica em vez de estabelecer uma regra universal. O uso de drones permitiu examinar de cima uma dinâmica complexa de se acompanhar a olho nu na superfície, revelando a posição da alga e a participação da dupla, embora as imagens por si só não comprovem o efeito sobre a pele.

O que falta descobrir sobre essa prática? Uma das dúvidas é se o contato com o kelp remove parasitas ou células mortas de maneira mensurável. Outra questão envolve saber se duplas com maior proximidade social executam a atividade com mais assiduidade. Investigações futuras devem unir observações contínuas a dados de saúde e relações sociais, sempre sem interferir na rotina dos animais.

Enquanto tais respostas não surgem, o evento sustenta uma conclusão prudente: algumas orcas manipulam algas para friccionar o corpo umas nas outras. O real motivo continua em aberto, mas a descoberta já é relevante por demonstrar como uma breve ação no oceano une ambiente, contato físico e vida social em um único gesto.

What do you feel about this post?

0%
like

Like

0%
love

Love

0%
happy

Happy

0%
haha

Haha

0%
sad

Sad

0%
angry

Angry

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *