Para barrar a necessidade de importações com custos elevados devido ao conflito no Irã, a Petrobras alcançou um patamar histórico na fabricação de diesel durante o terceiro trimestre, conforme relatório divulgado na quarta-feira (28). O período também foi marcado por recordes na exportação de óleo e derivados pela companhia.
A petroleira informou uma média de fabricação de 769 mil barris diários do combustível entre julho e setembro, o que representa um crescimento de 6,7% na comparação com o mesmo intervalo de 2025. Esse avanço ajudou a enxugar as compras externas do derivado em 8,8%, recuando para 110 mil barris por dia.
A prioridade dada ao abastecimento interno ganhou tração após a deflagração da crise no Oriente Médio e a disparada das cotações internacionais do petróleo. No trimestre anterior, por exemplo, a empresa já havia registrado o menor volume de compras internacionais de combustíveis de sua história.
Paralelamente, a comercialização de diesel pela estatal avançou 4,9%, atingindo 849 mil barris diários. O período é tradicionalmente marcado por forte procura devido aos trabalhos de plantio da safra de inverno e à expansão do setor industrial.
Refinarias no limite operacional
Para sustentar o ritmo interno de combustíveis, a corporação manteve suas plantas de refino operando no teto da capacidade. O índice de utilização alcançou 99% no terceiro trimestre, superando em cinco pontos percentuais o resultado obtido no mesmo período do ano anterior.
A oferta de querosene de aviação — item sensível aos reflexos da guerra iraniana e com alta procura nas férias escolares de meio de ano — também cresceu, registrando alta de 3,4% e alcançando 122 mil barris diários.
Desafios de preços e exportações recordes
Desde o início das hostilidades globais, a companhia opera com lacunas expressivas nas cotações do diesel, afetado pelo fechamento do estreito de Hormuz e por investidas ucranianas contra plantas russas. Na abertura do mercado de quarta-feira, o derivado comercializado nas refinarias da estatal estava R$ 3,76 por litro mais barato do que o custo projetado pela consultoria Stone X para a Abicom (Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis).
A diferença fica abaixo do subsídio de R$ 3,52 por litro pago pelo governo ao item estrangeiro, sugerindo um prejuízo de R$ 0,24 por litro na importação conforme esses cálculos, embora a empresa afirme adotar critérios próprios de precificação.
Analistas do banco Itaú BBA alertaram recentemente que a manutenção dessa defasagem pode forçar a companhia a descumprir sua política de preços em 2026. “Nesse cenário, a companhia precisaria fazer aumentos adicionais de preço”, escreveram eles.
Para equilibrar as contas diante das margens apertadas nos combustíveis, a petroleira intensificou as vendas externas. O volume exportado de petróleo e derivados bateu recorde de 1,25 milhão de barris diários, alta de 21,1% frente ao terceiro trimestre de 2025, impulsionado pela alta demanda de óleo combustível. Apenas as remessas de óleo cru somaram 987 mil barris diários, com a China absorvendo 40% desse total.
Impulsionada pela entrada em operação de novas unidades no pré-sal, a extração total de óleo e gás da Petrobras também bateu recorde trimestral, atingindo média de 3,51 milhões de barris por dia e superando a marca anterior de 3,34 milhões registrada no segundo trimestre.
What do you feel about this post?
Like
Love
Happy
Haha
Sad
