Dívida pública federal sobe para R$ 9,4 tri em setembro sob pressão de gasto com juros, aponta Tesouro

Dívida pública federal do Brasil atinge R$ 9,4 trilhões em setembro

Mercados

A dívida pública federal do Brasil apresentou uma variação positiva de 0,97% em setembro na comparação com agosto, alcançando o patamar de R$ 9,4 trilhões. O dado foi divulgado nesta quinta-feira (29) pelo Tesouro Nacional, que apontou a pressão exercida pelos gastos do governo com juros sobre o endividamento.

No período, a dívida pública mobiliária federal interna somou R$ 9 trilhões, com variação positiva de 1,04%, enquanto a dívida pública federal externa atingiu R$ 345,4 bilhões, com recuo de 0,82% no mês.

A elevação da dívida pública interna no mês foi fruto de uma apropriação de juros de R$ 89,3 bilhões e uma emissão líquida de títulos no valor de R$ 3,8 bilhões.

Mais cedo nesta quinta, o Banco Central divulgou que a dívida bruta do Brasil se manteve em 82,9% do PIB (Produto Interno Bruto) em setembro, mesmo nível de agosto e maior índice desde 2021.

O montante levantado pelo BC engloba os resultados do governo central (Tesouro Nacional, Banco Central e Previdência Social), governos estaduais e municipais e de empresas estatais (exceto Petrobras e bancos públicos).

O Tesouro destacou que foi observada no mês de setembro maior aversão ao risco diante do aperto monetário nos Estados Unidos, da elevação de taxas de juros de títulos públicos em economias avançadas e do conflito no Oriente Médio.

O mês imediatamente anterior às eleições presidenciais no Brasil apresentou queda nos juros futuros, com o Tesouro destacando corte na taxa Selic e sinais de desaceleração da atividade.

Custos e composição da dívida

Segundo as informações da pasta, o custo médio do estoque da dívida pública federal acumulado em 12 meses teve uma alta no mês passado, indo de 12,59% ao ano em agosto para 12,63% ao ano.

O custo médio das novas emissões de títulos da dívida interna teve leve recuo, passando de 13,96% ao ano em agosto para 13,89% no mês passado.

Em relação à composição da dívida pública federal, a participação dos títulos indexados à Selic, mais buscados por investidores em momentos de volatilidade no mercado, recuou a 51,6% do total, contra 52,7% em agosto.

O plano de financiamento do Tesouro prevê que esses papéis responderão por 49% a 53% do estoque neste ano, após o governo ter elevado esse alvo diante de um cenário de incerteza e volatilidade com a guerra no Irã.

Liquidez e cenário eleitoral

No período, o colchão de liquidez da dívida pública somou R$ 1,3 trilhão, suficiente para cobrir 7,71 meses de vencimentos de títulos, nível considerado confortável pelo governo.

Em relação ao perfil de vencimentos da dívida pública, o Tesouro informou que o prazo médio do estoque ficou estável em 4,10 anos.

Sobre o mês de outubro, o Tesouro disse que “o mercado de juros apresentou forte alta diante da reprecificação de expectativas e do ajuste de posições após o resultado eleitoral”.

No mês, o mercado chegou a apresentar ganhos expressivos no valor de ativos após o senador Flávio Bolsonaro (PL) liderar o primeiro turno das eleições presidenciais. O cenário se inverteu após a vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno no domingo, com forte queda da Bolsa brasileira e altas do dólar e dos juros futuros nesta semana.

Para dar liquidez ao mercado no momento de estresse, o Tesouro recomprou R$ 31,6 bilhões em títulos prefixados e indexados à inflação nesta semana.

Em entrevista à imprensa, o coordenador-geral de Operações da Dívida Pública do Tesouro Nacional, Helano Dias, afirmou que o órgão segue monitorando o mercado de títulos e está pronto para atuar a qualquer momento, caso seja observado algum tipo de disfuncionalidade.

What do you feel about this post?

0%
like

Like

0%
love

Love

0%
happy

Happy

0%
haha

Haha

0%
sad

Sad

0%
angry

Angry

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *