Na hora de correr, a seleção do vestuário vai muito além da estética. Elementos como tecidos, modelagem, costuras e até a localização dos bolsos interferem diretamente no bem-estar durante a prática esportiva, em especial em sessões prolongadas ou sob altas temperaturas. Com a constante evolução da indústria têxtil voltada para o esporte, novas inovações passaram a suprir demandas particulares dos atletas.
De acordo com Fred Fagundes, sócio-fundador da Woom, a decisão deve levar em conta o ritmo, o tempo de exercício, o clima e o cenário da prática, seja asfalto, terra ou percursos com elevações.
“Uma roupa adequada precisa acompanhar os movimentos do corpo, permitir a troca de calor e evitar desconfortos ao longo da corrida. Quanto maior a distância, mais importantes se tornam detalhes como ajuste, tecido e acabamento”, explica.
Certos fatores demandam cuidado para assegurar maior comodidade, funcionalidade e evolução no rendimento durante a modalidade.
1. Escolha tecidos adequados à temperatura e ao tipo de treino
Durante a corrida, o organismo gera calor e transpira para controlar a temperatura interna. Em dias quentes, primordialmente nas vestimentas da parte superior, materiais leves, arejados e que favoreçam a secagem do suor promovem maior comodidade.
Já em treinos extensos, shorts com tecidos compressivos garantem maior suporte aos músculos, contanto que possuam encaixe correto e não limitem a mobilidade. Nos dias de frio, a indicação é selecionar itens que auxiliem na retenção térmica sem atrapalhar a circulação de ar e o controle da umidade.
2. Observe as costuras e os acabamentos
O atrito contínuo entre o tecido e a pele é capaz de gerar assaduras, sobretudo em práticas de longa duração. Vestimentas com menor quantidade de costuras e acabamentos como bonding, método que conecta partes do material por meio de selagem, diminuem os pontos de contato e a fricção.
3. Escolha uma modelagem que acompanhe os movimentos
Modelagens excessivamente justas podem restringir a flexibilidade, enquanto opções muito largas geram incômodo ao longo da movimentação. O cenário ideal envolve um caimento agradável, boa elasticidade e firmeza durante a corrida.
4. Avalie a posição e a funcionalidade dos bolsos
Compartimentos para transporte, elementos refletores e detalhes que mantêm a peça firme no corpo são recursos úteis no dia a dia. Contudo, mais relevante do que a quantidade de bolsos é atentar-se ao tamanho e à localização deles.
Conforme a forma como são integrados ao vestuário, os objetos carregados podem sacudir ou provocar incômodo na corrida. Por essa razão, recomenda-se testar a vestimenta com os pertences que serão levados nos treinos e nas competições.
5. Tenha peças adequadas para diferentes treinos e teste antes das provas
Assim como ocorre com os calçados, praticantes assíduos aproveitam vantagens ao contar com vestimentas específicas para cada cenário. Modelos confortáveis para sessões leves e de recuperação (recovery), edições duráveis para treinos longos e alternativas mais leves para tiros de velocidade e dias de competição representam boas escolhas.
Igualmente importante é não estrear roupas em dias de competição, aproveitando as sessões de preparação para detectar potenciais áreas de atrito, falhas no ajuste e incômodos.
“A tecnologia tem um papel importante no desenvolvimento do vestuário esportivo, mas não existe uma única solução para todos os corredores. O mais importante é entender as necessidades de cada pessoa e escolher peças que funcionem bem na prática”, conclui Fagundes.
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