Maior volume de exercícios amplia benefícios cardiovasculares, diz estudo

Estudo aponta que mais exercícios ampliam proteção ao coração

Saúde

A indicação da Organização Mundial da Saúde para realizar ao menos 150 minutos semanais de exercícios moderados figura entre as principais táticas para blindar o coração. Contudo, um novo estudo aponta que ampliar essa carga horária de treinos é capaz de gerar vantagens ainda mais expressivas.

Divulgada em maio no periódico British Journal of Sports Medicine, a investigação monitorou mais de 17 mil voluntários do UK Biobank, banco de dados nacional britânico, durante quase oito anos.

Os pesquisadores constataram que cumprir a meta de 150 minutos semanais de atividade física gerou uma queda de 8% a 9% na probabilidade de desenvolver patologias cardiovasculares, independentemente da condição física inicial. Em contrapartida, os voluntários que acumulavam de 560 a 610 minutos por semana apresentaram um risco 30% inferior.

Para registrar os movimentos de maneira precisa, a equipe científica utilizou acelerômetros, dispositivos parecidos com pulseiras inteligentes que monitoram a movimentação corporal ao longo do dia. O grupo também avaliou o condicionamento físico dos participantes e notou que indivíduos com melhor aptidão cardiorrespiratória atingiam vantagens semelhantes com um volume ligeiramente menor de treinos em relação aos menos condicionados.

A aptidão cardiorrespiratória corresponde à habilidade do coração, dos pulmões e dos músculos de capturar e empregar oxigênio durante o esforço corporal, sendo tratada como um dos principais parâmetros da saúde cardíaca.

“Essa aptidão pode melhorar em qualquer idade. Mesmo pessoas acima dos 60 ou 70 anos conseguem aumentar significativamente essa capacidade com treinamento regular e adaptado às suas condições de saúde”, afirma a cardiologista e médica do esporte Luciana Janot, do Einstein Hospital Israelita.

Colocando em prática

Em vez de concentrar um volume elevado de treinos em um único dia, o segredo reside na consistência de uma rotina regular.

O mais indicado é fracionar as movimentações ao longo da semana e, sempre que viável, unir exercícios aeróbicos com sessões de fortalecimento muscular, recomendadas no mínimo duas vezes por semana.

“O primeiro passo é sair do sedentarismo. Não é necessário começar correndo ou frequentando academia todos os dias. Caminhadas, bicicleta, dança, natação ou qualquer atividade que a pessoa goste já fazem diferença. O melhor exercício é aquele que a pessoa consegue manter por meses e anos”, frisa Janot.

As novas descobertas não anulam as diretrizes vigentes sobre a prática de atividades físicas.

“É muito importante frisar que qualquer quantidade de atividade física é melhor do que nenhuma. Os 150 minutos recomendados são um mínimo para se obter benefícios e não um limite máximo. Essa é a meta para quem hoje é sedentário e quer sair da inatividade física. Atingir esse nível já proporciona um ganho expressivo para a saúde”, afirma a médica.

A própria OMS orienta que adultos pratiquem entre 150 e 300 minutos semanais de exercícios moderados (como caminhada rápida) ou entre 75 e 150 minutos de atividade vigorosa (como corrida).

“No último documento da OMS, esse intervalo passou a ser de 150 a 300 minutos. Ou seja, para conquistar benefícios ainda maiores, o alcance de 300 minutos já é recomendado, principalmente quando falamos em prevenção do ganho de peso e combate à obesidade”, observa.

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