A transformação das práticas pedagógicas no Brasil parte com frequência das demandas vividas pelos estudantes dentro e fora do ambiente escolar. Questões que envolvem o acolhimento socioemocional, a luta contra o racismo, os impactos climáticos e a formação para a cidadania têm levado docentes de diferentes estados a reformular métodos de ensino, mostrando que inovar está diretamente ligado ao contexto de cada território.
Acolhimento socioemocional e metodologias ativas
Em Minas Gerais, o professor Otávio Neves recorre a recursos audiovisuais e manifestações artísticas no município de Nova Lima. A proposta busca abrir espaço para que os alunos compreendam suas identidades e sentimentos. Segundo o docente, “Às vezes, antes de ensinar qualquer conteúdo, a gente precisa ouvir, acolher e criar uma relação de confiança.”
Já a especialista paulista Débora Garofalo, criadora do projeto Robótica com Sucata e reconhecida internacionalmente, utiliza a cultura maker na rede pública. Ela pontua: “Sempre acreditei que a sala de aula deve ser um espaço de descobertas, diálogo e construção do conhecimento, no qual os estudantes tenham voz e protagonismo.”
Território, meio ambiente e ancestralidade
Em Rio Tinto, na Paraíba, Emerson Felipe da Silva articula suas aulas de educação física à cultura originária local. Ele destaca: “A Mãe Terra, tão venerada pelos povos originários, em especial pelo povo Potiguara, merece ser tratada com o maior zelo.”
Na região Norte, o projeto “Observatório da Estiagem”, conduzido por Thaini Maiara Pereira Alves em Manaus (AM), mobiliza comunidades ribeirinhas no monitoramento do clima. Sobre o objetivo do trabalho, a professora de geografia ressalta: “Minha maior motivação foi incentivar os estudantes a investigar os problemas do próprio território e pensar ativamente sobre o que podem fazer para minimizar seus impactos.”
Cidadania, equidade racial e inclusão social
No Nordeste, a pesquisadora sergipana Cleciane Alves estrutura suas ações pedagógicas com foco no letramento político e na participação coletiva: “É nessa perspectiva que compreendo a inovação pedagógica: construir práticas educativas significativas que articulem conhecimento, realidade local e participação democrática.”
No Rio de Janeiro, com 17 anos de docência, Cleide Magesk foca suas iniciativas na diversidade e no cumprimento de diretrizes educacionais antirracistas. A educadora afirma: “É desse lugar de mulher preta e professora de escola pública que busco, por meio de atividades diferenciadas e inovadoras, trabalhar a Lei nº 10.639 no cotidiano da minha sala de aula.”
Em Santa Maria (RS), o professor de história Henrique Corrêa Lopes implementa ações de robótica e cultura maker voltadas para jovens que cumprem medidas socioeducativas. Ele reflete sobre a motivação de sua carreira: “Então, decidi ser professor, primeiro, para ser aquele professor que eu nunca tive. E depois busquei inovar para fazer da educação um instrumento de transformação.”
As experiências desses educadores evidenciam que a renovação pedagógica nas redes públicas ganha força quando alia sensibilidade às urgências sociais e comunitárias do país.
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