“O Rock se fechou para o favelado”: Major RD explica letra sobre não conseguir ser cantor de Rock

Major RD aponta barreiras e critica exclusão do rock para periferia

Entretenimento

As barreiras impostas pela indústria musical aos artistas periféricos e a dificuldade de inserção em determinados nichos foram o foco da participação do rapper Major RD no podcast Charla na Mix. Durante a entrevista, o músico detalhou a conexão entre sua antiga vontade de transitar pelo rock e a percepção de que o estilo musical é excludente para quem cresceu na favela.

O debate girou em torno de versos da faixa “SÓ ROCK 2”, lançada pelo artista em 2022 em colaboração com Young Ganni e Xamã. Na visão do cantor, a estrutura por trás do gênero funciona de maneira fechada, dificultando a ascensão de talentos de origem humilde devido à exigência de redes de contatos prévias.

“Um fodão de Rock, ele nunca vai abrir a porta para um favelado, porque o Rock se fechou pra favelado. Em algum momento alguém perdeu a chave do acesso e ficou na mão dos caras. Estou falando por mim, eu não vejo nenhum estúdio fodão de Rock abrir a porta assim pra ninguém. Só entra quem já tá ali, encaminhado por algum empresário, alguma parada, e por isso que eu queria ser cantor de Rock e não podia ser nessa época.”

A barreira financeira e a falta de oportunidades

Aprofundando a explicação sobre os bastidores da composição, o rapper detalhou o significado do verso “Eu queria ser cantor de Rock mas do Rock eu não posso ser”:

“Eu nunca expliquei isso. Para você cantar Rap você precisa de uma batida e um microfone, certo? Para você cantar Rock você precisa de um bonde, de instrumentos caríssimos, de bateria, da guitarra, de um baixo, de um estúdio de captação foda. Então, por isso eu falo isso na música. É sobre condição financeira, acesso…”

Repercussão e a visão da banda Black Pantera

A declaração gerou identificação em outros nomes da música nacional. A banda mineira Black Pantera manifestou apoio ao relato nos comentários, corroborando as dificuldades enfrentadas por músicos periféricos e compartilhando a própria trajetória de superação:

“O Rock sobrevive e resiste no underground, na vontade de fazer. E sim, é foda demais conseguir se destacar, gravar, ter um instrumento e tal. Nós nascemos em um contexto onde a cena da nossa região estava estagnada, e a gente não se sentia representado também. [Pensamos que] se ninguém faz, vamos fazer, e cá estamos 12 anos depois.”

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