Alunos de medicina em Curitiba relatam ofensas de colegas ligadas ao resultado das eleições

Estudantes de medicina denunciam ofensas e bullying após eleições em Curitiba

Brasil

Alunos do curso de medicina da Universidade Positivo, em Curitiba, que apoiaram a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), relataram ter sido alvos de ofensas e bullying virtual por parte de colegas de turma.

O caso veio à tona por meio de capturas de tela compartilhadas com a imprensa e formalmente encaminhadas ao Ministério Público do Paraná. Nas conversas de WhatsApp, estudantes aparecem publicando xingamentos e deboches direcionados aos colegas que votaram no candidato petista vitorioso no pleito.

As evidências mostram a criação de “listas de petistas” e até mesmo uma enquete perguntando sobre a expulsão de uma aluna de um grupo de mensagens, oferecendo apenas as alternativas “sim” e “óbvio”. Uma das mensagens sugeria que determinada aluna nem sequer aparecesse na aula na segunda-feira, 26, logo após o resultado da eleição.

As mensalidades do curso giram em torno de R$ 12 mil, e os registros incluem falas como: “Eu devo ser muito burro para estar na mesma faculdade que a [nome de uma aluna]” e “Tomara que a [nome da aluna] perda o Prouni dela”.

Outros comentários registrados no grupo dizem: “São tudo acéfalas”, “Lembrem do amor de vcs para atender pobre” e “Se quiser militar, vai para federal”. Houve ainda ataques gordofóbicos e de cunho aporofóbico: “Se treinasse com a mesma intensidade com que defende o Lula, já estaria magra” e “As gorda achando que vai ter bolsa Mounjaro, kkk”.

Investigação e denúncias

Em relatos enviados ao Ministério Público, os denunciantes afirmam que tanto estudantes pagantes quanto bolsistas foram alvos de “discursos de ódio, discriminação, gordofobia e aporofobia”, praticados ao longo da campanha eleitoral e após o encerramento da votação.

Questionada, a Universidade Positivo declarou em nota que não recebeu registros formais sobre os episódios, mas ressaltou que “repudia qualquer forma de discriminação, intolerância ou desrespeito”, mantendo firme compromisso com “um ambiente plural, pautado pelo respeito às diferenças, à diversidade de pensamento e à convivência democrática”.

A instituição orientou que as vítimas utilizem os canais oficiais de atendimento, assegurando sigilo para a devida apuração dos fatos. “A universidade também está à disposição para acolher e orientar os estudantes que se sentirem afetados pela situação”, complementa o comunicado.

Cenário no Paraná

De acordo com a Aemed-PR (Associação dos Estudantes de Medicina), ocorrências semelhantes relacionadas ao período eleitoral foram registradas em pelo menos cinco instituições de ensino superior paranaenses até a tarde de terça-feira (3).

Na UniCesumar, faculdade privada localizada em Maringá, alunos de medicina chegaram a ser expulsos após realizarem ataques contra estudantes bolsistas no pós-eleição. O grupo de WhatsApp da turma também continha imagens e expressões de apologia ao nazismo.

Em nota oficial divulgada em 30 de outubro, a UniCesumar confirmou o encerramento da sindicância interna. Conforme a gravidade dos atos, foram aplicadas medidas disciplinares como advertências, suspensões e desligamentos de discentes, embora a faculdade não tenha divulgado o número exato de punidos ou a identidade dos envolvidos.

Já na Universidade Federal do Paraná (UFPR), o Grêmio de Arquitetura e Urbanismo foi alvo de vandalismo na noite do dia 26 de outubro, sofrendo pichações com números de urna do candidato derrotado e o despejo de substâncias nas paredes e nos móveis. O caso foi encaminhado à Polícia Federal.

Em vídeo divulgado após o incidente, a vice-reitora da UFPR, Camila Fachin — filha do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin —, declarou que “a democracia exige maturidade para conviver com as diferenças, respeitar as escolhas, e aceitar os resultados, mesmo quando não correspondem às nossas expectativas”.

Em âmbito nacional, o cenário pós-eleitoral também foi marcado por manifestações de rua encabeçadas por universitários em prol da reeleição de Lula logo após o término do primeiro turno.

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