Oracle cancela acordo de US$ 7 bilhões após pressão de Trump

Oracle desiste de acordo de US$ 7 bi com a Tencent

Tecnologia

A Oracle cancelou um contrato bilionário de aluguel de chips com a Tencent após ceder à pressão do governo de Donald Trump, em um sinal do aumento das tensões envolvendo empresas americanas de computação em nuvem que atendem companhias chinesas de IA (inteligência artificial).

Negócio de US$ 7 bilhões cancelado

A corporação californiana, comandada pelo bilionário Larry Ellison, apoiador de Trump, tinha fechado uma parceria de cinco anos com a gigante da tecnologia da China para disponibilizar acesso a até 100 mil chips avançados de inteligência artificial em diferentes data centers localizados no Sudeste Asiático.

Avaliado em US$ 7 bilhões (R$ 38,36 bilhões), o arranjo comercial representaria o maior acordo de locação de capacidade de processamento da Tencent fora de seu país de origem. A iniciativa daria à empresa o direito de utilizar componentes cuja aplicação em território chinês é vetada por barreiras colocadas por Washington e Pequim.

Conforme duas pessoas a par do caso, representantes do governo dos Estados Unidos procuraram a Oracle para demonstrar inquietação com a aliança com a Tencent. A companhia asiática também recebeu visitas de integrantes de alto escalão da província de Guangdong, onde fica sua sede, que solicitaram o apoio da gigante tecnológica aos produtores locais de semicondutores, relatou uma das fontes. O pacto acabou desfeito, complementaram os informantes.

Até o momento, Oracle, Tencent e Casa Branca preferiram não se pronunciar sobre a reportagem.

Corrida pela inteligência artificial e restrições

O acontecimento reflete os obstáculos crescentes encarados por companhias dos Estados Unidos e da China no desenvolvimento de inteligência artificial, num momento em que as duas nações disputam a liderança tecnológica mundial.

A escassez de suprimento interno e o endurecimento das normas de exportação americanas impulsionaram as empresas chinesas do setor a buscar maior poder computacional além de suas fronteiras. Tais acordos de aluguel também viabilizam o acesso a processadores modernos da Nvidia que estão indisponíveis na China.

Gigantes chinesas e centros de pesquisa focados em modelos avançados de IA utilizam esses recursos principalmente para o treinamento de seus sistemas, demanda que os semicondutores fabricados nacionalmente ainda não conseguem suprir de forma eficiente.

Apesar de a locação de capacidade no exterior ser permitida pelas leis vigentes, as corporações americanas lidam com uma cobrança cada vez maior para diminuir sua dependência de clientes chineses. O Financial Times divulgou na terça-feira (3) que a Nvidia avisou operadores de computação em nuvem sobre a nova exigência de comercializar pelo menos 51% de suas prestações de serviços para tomadores de fora da China.

Enquanto a Tencent expande suas operações por meio de acordos multibilionários de locação, ByteDance e Alibaba continuam liderando o ranking de principais consumidoras de data centers na região do Sudeste Asiático.

A Oracle atua como uma relevante fornecedora da ByteDance na Ásia, operando múltiplos data centers na Malásia. Além disso, a companhia guardava informações de usuários norte-americanos da rede social TikTok — pertencente ao grupo chinês —, antes de passar a integrar o consórcio responsável pela compra das atividades do aplicativo nos Estados Unidos no final do ano passado.

A busca de empresas chinesas de inteligência artificial por capacidade de processamento no Sudeste Asiático cresceu consideravelmente com o aperto nas regras de exportação, que bloqueiam o envio de chips avançados da Nvidia à China através de nações intermediárias. Esse cenário provocou altas nos preços, estendeu os prazos contratuais e elevou os valores de pagamentos antecipados exigidos nas negociações de data centers.

Os aportes da Tencent em infraestrutura cresceram expressivamente no último ano, acompanhando a estratégia de diminuir seu atraso tecnológico em inteligência artificial. As versões mais recentes da linha Hunyuan, criada pela empresa chinesa, registraram progressos notáveis de desempenho, encurtando a distância para rivais nacionais de referência, como o Qwen, desenvolvido pela Alibaba.

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