Imprensa estrangeira vê vitória de Lula em aprovação do fim da 6x1

Fim da escala 6×1 é vitória de Lula, diz imprensa internacional

Mundo

A decisão histórica do Congresso brasileiro de extinguir o regime de trabalho 6×1 e reduzir a carga horária semanal de 44 para 40 horas ganhou amplo destaque nos principais veículos de comunicação globais. A cobertura estrangeira enfatizou o resultado da votação como um trunfo estratégico crucial para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ocorrendo na reta final da disputa do segundo turno presidencial.

O impacto da medida no cotidiano da população foi evidenciado pelo diário espanhol El País, que destacou em manchete que “dezenas de milhões de trabalhadores conquistam um segundo dia livre no Brasil, uma vitória política para Lula”.

Repercussão na América Latina e na Europa

Na Argentina, os principais jornais apontaram os reflexos da decisão no cenário eleitoral. O Clarín definiu a movimentação como “jogada política de Lula: Brasil aprova redução da jornada de trabalho, a menos de duas semanas do segundo turno das eleições”. Já o La Nacion tratou o momento como “a grande aposta de Lula antes do segundo turno”, sublinhando ainda que “o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro mudou de posição e anunciou seu voto favorável 48 horas antes da sessão”.

No Reino Unido, o Financial Times, focado no setor financeiro, informou que os parlamentares “votaram para abolir uma semana de trabalho de seis dias na maior economia da América Latina”. Ao analisar o cenário, o periódico classificou o desfecho como uma “vitória para Lula”, sem deixar de pontuar os questionamentos de entidades patronais sobre a elevação dos custos produtivos.

O veículo britânico avaliou ainda que “terminar a semana de trabalho de seis dias alinhará o Brasil com muitas nações de renda mais alta, onde as horas de trabalho diminuíram à medida que a produtividade e a eficiência melhoraram”.

Também no Reino Unido, o The Guardian projetou que a novidade legislativa pode beneficiar cerca de 30 milhões de trabalhadores e relembrou a trajetória do projeto: “A proposta começou como um movimento do TikTok chamado Vida Além do Trabalho, fundado por um assistente de farmácia que entrou na política após seu sucesso e mais tarde foi abraçado por Lula”.

Mudança de postura na oposição

A imprensa exterior deu grande atenção ao recuo do senador Flávio Bolsonaro (PL), adversário direto de Lula no pleito presidencial. O parlamentar se opunha à Proposta de Emenda à Constituição (PEC), mas alterou publicamente o seu voto nos dias que antecederam a deliberação.

Sobre a manobra, o The Guardian registrou: “Mesmo depois de mudar sua posição, Bolsonaro disse na terça-feira que ‘apoia algo ainda melhor’, referindo-se a uma proposta alternativa que há muito tempo defendia em que o pagamento seria baseado nas horas realmente trabalhadas”.

A agência de notícias norte-americana Associated Press (AP) detalhou que o único posicionamento contrário no plenário partiu “do ex-vice-presidente Hamilton Mourão, que atuou durante o governo do presidente Jair Bolsonaro”. Segundo a agência, correligionários de Flávio Bolsonaro “deixaram de bloquear a medida popular para que ele não fosse prejudicado em sua disputa acirrada contra Lula”.

Trâmite no Senado e regras de transição

A PEC do fim da escala 6×1 foi chancelada pelo plenário do Senado na noite de quarta-feira (14), somando 75 votos favoráveis e apenas um voto contrário. A bancada oposicionista decidiu apoiar a proposta logo após o presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP), pautar a votação. Em manifestação pública, o líder do PL na Câmara, deputado Sóstenes Cavalcante (RJ), declarou que, caso Flávio Bolsonaro vença a eleição, a meta será aprovar a PEC 12/2026, modelo que institui a contratação “por hora trabalhada”.

O texto validado pelos senadores estipula o direito obrigatório a dois dias de repouso semanal remunerado, adotando a escala máxima 5×2, sem qualquer tipo de redução nos salários.

O cronograma de transição completo terá duração de 14 meses. A partir de 60 dias após a promulgação da emenda constitucional, os empregadores já deverão aplicar a escala 5×2 e restringir o expediente a um teto de 42 horas por semana. Decorridos outros 12 meses desse primeiro marco, o limite semanal passará em definitivo para 40 horas.

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