GP de São Paulo marca retorno de dois pilotos brasileiros no grid da F1

GP de São Paulo volta a ter dois brasileiros no grid da F1

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O automobilismo brasileiro vive um momento de celebração neste fim de semana em Interlagos, com Gabriel Bortoleto e o estreante Rafael Câmara garantindo ao país dois representantes no grid de largada da Fórmula 1 pela primeira vez em dez anos.

Terra de lendas como os tricampeões mundiais Ayrton Senna e Nelson Piquet, além do bicampeão Emerson Fittipaldi, o Brasil enfrentou um período sem presença fixa na categoria principal. A última ocasião em que o país contou com dois nomes simultaneamente no grid ocorreu em 2016, com Felipe Massa e Felipe Nasr. Agora, Bortoleto disputa sua segunda temporada pela Audi, enquanto Câmara, de 21 anos, faz sua estreia em um Grande Prêmio pela Haas após substituir Esteban Ocon.

Para Câmara, competir diante da torcida local representa uma experiência inédita. O líder do campeonato de Fórmula 2 desenvolveu a maior parte de sua trajetória nas pistas da Europa e vai acelerar em Interlagos pela primeira vez.

“Estou muito feliz com a oportunidade. Muito grato à equipe por ter confiado em mim esta semana”, disse Câmara aos repórteres nesta quinta-feira.

“Acho que vai ser bem especial estar a primeira vez aqui andando de Fórmula 1, e ver toda a torcida. Eu vi ano passado com o Gabi como foi, então eu acho que vai ser legal fazer minha primeira corrida aqui no Brasil.”

A trajetória recente de Câmara guarda semelhanças com a de Bortoleto, que desembarcou em Interlagos em 2025 tendo competido no circuito apenas uma vez em anos anteriores, durante uma etapa de stock car.

Aquele reencontro com a torcida brasileira gerou forte emoção, mas também grandes dificuldades. Bortoleto sofreu um forte acidente na corrida de sprint, perdeu a sessão de classificação devido aos danos irreparáveis em sua Sauber e acabou rodando ainda na primeira volta do Grande Prêmio.

Pressão em casa

O piloto de 22 anos avalia que o episódio trouxe aprendizados essenciais sobre a gestão da pressão inerente a uma etapa disputada no próprio país.

“Eu acho que eu tenho muita expectativa que eu coloco em cima de mim e eu acho que o Brasil também obviamente acaba colocando”, disse o piloto de 22 anos.

“Foi uma lição de como lidar com as minhas emoções e como lidar com o final de semana de casa.”

“Foi a primeira vez em muitos, muitos anos que eu tomei decisões e atitudes por emoção e não por razão quando eu estava dentro de um carro de corrida a 300 por hora… Espero que esse ano eu consiga levar de uma maneira melhor.”

Nomes experientes do grid demonstram confiança na capacidade de Câmara para absorver a exigência do momento.

Pierre Gasly, piloto da Alpine que divide a garagem com o argentino Franco Colapinto, apontou que debutar na categoria em solo nacional gera um sentimento incomparável, embora venha acompanhado de cobranças extras.

“Começar sua primeira corrida de F1 em casa, acho que é uma sensação inigualável para qualquer um”, disse o francês. “Haverá expectativas e ainda mais trabalho para ele, mas espero que ele consiga aproveitar cada segundo disso.”

A ascensão de Câmara ao lado de Bortoleto amplia a representatividade da América Latina na competição, movimento elogiado por Sergio Perez, da Cadillac.

“Há mais impulso em nossos países, em nosso continente”, disse o mexicano. “Mas sempre disse que, para um piloto latino chegar à Fórmula 1, é duas vezes mais difícil do que para um piloto europeu.”

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