A designer londrina Martine Rose foi anunciada nesta sexta-feira (06.11) como a nova diretora criativa da Balenciaga, assumindo o posto que era ocupado por Pierpaolo Piccioli, que deixou o cargo ontem (04.11).
“Sua conexão com a nova geração é sua compreensão instintiva da cultura trazem uma nova dimensão à casa. Sua nomeação reflete nossa ambição de manter a Balenciaga na vanguarda da inovação”, diz Luca de Meo, CEO do grupo Kering, em comunicado oficial.
As origens e a formação da designer
Nascida em 1980, em Croydon, no sul de Londres, Martine Rose cresceu entre a residência de seus avós — que funcionava como ponto de encontro da comunidade jamaicana local — e a vibrante cena musical da capital britânica. Seus primos mais velhos frequentavam raves e festas de reggae, punk e música eletrônica, ambiente que moldou profundamente sua identidade visual. Além disso, sua irmã, 15 anos mais velha, transmitiu-lhe uma forte admiração por criadores como Jean Paul Gaultier, Katharine Hamnett e Pam Hogg.
Após se formar pela Middlesex University em 2002, ela fundou sua primeira marca no ano seguinte, a LMNOP, criada em sociedade com a designer Tamara Rothstein. A empreitada chegou ao fim em 2005, abrindo caminho para o projeto que consolidaria sua carreira: uma grife de camisaria masculina que, em 2007, se transformou oficialmente na marca Martine Rose. Os primeiros passos da etiqueta contaram com o suporte fundamental da incubadora de novos talentos Fashion East e do programa NEWGEN MEN, promovido pelo British Fashion Council.
Estética e subculturas
O universo criativo da estilista é marcado por silhuetas e proporções exageradas, alfaiataria desconstruída e uma fusão entre o vestuário esportivo e o formal, prestando constante homenagem a códigos de subculturas. Apesar de sua trajetória estar fortemente associada à moda masculina, Martine destaca que projeta suas coleções para um público diverso, explorando e questionando as fronteiras de gênero. Seu foco principal reside no comum e no dia a dia. Em uma entrevista concedida em janeiro de 2024 à edição estadunidense da revista ELLE, ela declarou que gosta de trabalhar com “elementos que você reconhece, mas vistos de uma nova maneira”.
A identidade de seus desfiles acompanha essa mesma proposta irreverente. Distanciando-se dos locais convencionais das semanas de moda, ela já realizou apresentações em mercados de rua, centros de escalada comunitários, em um beco sem saída situado no bairro de Camden e até na Torriano Primary School, escola frequentada por sua filha em Kentish Town.
Parcerias de peso e premiações
No ano de 2015, Demna Gvasalia — que na época ocupava a direção criativa da Balenciaga — convidou Martine para trabalhar como consultora de moda masculina na maison, uma experiência que ela costuma definir em entrevistas como um marco transformador. O vínculo profissional durou até 2018. Paralelamente, a designer desenvolveu parcerias de grande repercussão com marcas como Nike, Napapijri, Timberland e CAT, além de protagonizar desfiles memoráveis na passarela de Londres.
O prestígio internacional veio acompanhado de inúmeras indicações e prêmios. Martine concorreu ao título de estilista britânica de moda masculina do ano pelo British Fashion Council (BFC) em 2017, 2018 e 2019, além de alcançar a final do LVMH Prize e ser indicada ao ANDAM Fashion Awards em 2017. Em 2019, integrou a mostra Get Up, Stand Up Now, realizada no museu Somerset House, dedicada a celebrar cinco décadas de criatividade negra britânica. O ápice de sua trajetória institucional ocorreu em 2023, quando foi finalmente consagrada com o prêmio de estilista de moda masculina no Fashion Awards do BFC.
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