Se não dono do mundo, ao menos de cinco cidades

Viagem a Bancoc revive memória afetiva e nostalgia de 2003

Turismo

Durante uma escala em Bancoc a caminho do Vietnã, uma tentativa de recriar uma experiência vivida pela primeira vez em 2003 trouxe à tona memórias marcantes de viagens pelo mundo. Após um longo voo, o banho rápido deu lugar a uma caminhada pela região de Sala Daeng, na capital tailandesa.

Anos antes, em Londres, uma visita à extinta Tower Records de Piccadilly Circus havia rendido a descoberta do CD “Studio One: Women”. Desta vez, ao caminhar pelas ruas de Bancoc, a trilha sonora escolhida foi a faixa “King Street”, das Soulettes, reproducida em um CD player. O contraste entre o caos urbano — marcado por trânsito intenso, calor, umidade e o agito de centenas de pessoas — e a suavidade do ska jamaicano dos anos 1960 proporcionou uma sensação de profunda plenitude. Esta foi a décima-oitava vez na cidade, mas a saudosa experiência nunca havia sido repetida até agora.

O impacto da revisitação fez com que o viajante rememorasse todos os destinos conhecidos ao longo de 2026. A lista incluiu passagens por Nova York, Londres, Roma, Galícia, Madri, além de Cascais (Portugal), Istambul (Turquia), Buenos Aires (Argentina), Roma (Itália) e Paris (França). Contudo, a grande surpresa foi perceber que, apenas em 2026, ele já havia passado por todas as suas cinco cidades favoritas no mundo.

Esses locais formam a resposta automática dada sempre que surge a pergunta sobre os lugares preferidos de visitação. Desde 2003, a tradição consiste em levar um grupo de amigos a cada um desses destinos para celebrar os aniversários de 40, 45, 50, 55 e 60 anos, comemorados respectivamente em Buenos Aires, Lisboa, Istambul, Bancoc e Paris — sendo a última destas viagens realizada em abril de 2023.

A intensidade dessas jornadas e a sensação de manter o mesmo frisson da primeira vez parecem refletir o sentimento de estar em casa em cada uma dessas metrópoles. Ao caminhar pelas calçadas ao som dos versos entoados em 1966 pelo grupo que contava com Alpharita Anderson — futura Rita Marley —, a lembrança da letra parecia resumir o momento: “Descendo na direção da rua mais movimentada da cidade… Não precisa nem de reserva… A noite é só pra relaxar…”. A vivência sintetiza o ápice da sensação de ser o dono do mundo.

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