TAG Heuer aposta na F1 e no acordo Mercosul-UE para crescer no Brasil

Tag Heuer aposta na Fórmula 1 e no acordo Mercosul-UE para crescer

Mercados

A fabricante suíça de relógios de luxo Tag Heuer intensificou suas ações no Brasil às vésperas do Grande Prêmio de São Paulo, em Interlagos, apostando forte na sua relação histórica com o automobilismo e com o piloto Ayrton Senna (1960-1994). A estratégia de marketing da empresa prioriza a velocidade como território oficial da marca para atrair novos clientes no país.

“Cada marca é reconhecida pelo seu território. Cada uma vai com seu espaço e seus consumidores. Nosso espaço histórico é a F1”, afirma Gabriela Monteiro, head de marketing da 356, responsável pela distribuição da TAG Heuer no Brasil.

O vínculo com as pistas começou em 1969, quando a companhia patrocinou o piloto suíço Jo Siffert. Dois anos depois, em 1971, a marca fechou uma parceria com a Ferrari. A lenda corporativa conta que o comendador Enzo Ferrari desconfiava dos cronômetros da categoria e pediu a Jack Heuer, neto do fundador da empresa, uma nova tecnologia. Como Ferrari não quis pagar pelo desenvolvimento, propôs estampar o logotipo da marca nos carros e macacões. Em 1992, a fabricante virou a cronometrista oficial da F1, posto que perdeu para a Rolex em 2003, mas retomou no ano passado.

Negócios e projeções no Brasil Embora os números individuais não sejam abertos, estimativas da Morgan Stanley/Luxe Consult apontam que a Tag Heuer comercializou 720 milhões de francos suíços — cerca de R$ 4,7 bilhões — em relógios, óculos e artigos de precisão em 2025. Atualmente, o Brasil ocupa a segunda posição na América Latina, ficando atrás apenas do México.

A expectativa da empresa é que a efetivação do tratado comercial entre o Mercosul e a União Europeia impulsione o faturamento brasileiro a ponto de igualar ou superar o mercado mexicano.

“Hoje, a variedade de produtos que vem para o Brasil não é tão grande”, diz Gabriela, citando questões tributárias e de importação. “Com o acordo [comercial], haverá um incentivo muito maior para trazer mais artigos. Mas nos últimos dez anos mais do que dobramos o tamanho da TAG Heuer no país.”

O impacto das restrições alfandegárias faz com que edições limitadas de colecionador, cujos valores oscilam entre R$ 12 mil e R$ 500 mil, sejam comercializadas de maneira direta e antecipada para reservas, sem sequer chegar às vitrines das lojas físicas.

“[A estratégia é de] Ter esse pé no segmento esportivo mas, à medida que divulgamos a marca, a inovação e a tecnologia por trás do relógio, adquirimos novos consumidores”, completa a executiva.

Relacionamento e exclusividade A trajetória da empresa também se apoia em marcos da cultura pop, como o modelo Monaco eternizado por Steve McQueen no filme “As 24 horas de Le Mans” (1971) e a forte ligação com Ayrton Senna. O público-alvo consiste em consumidores de alto luxo fascinados por cronometragem, disputando espaço com grifes como Rolex e Cartier.

Como a companhia não possui e-commerce próprio, a prioridade é o atendimento consultivo presencial, onde os compradores dispõem de tempo para conhecer as novidades e participar de jantares exclusivos.

“Hoje, de dez contatos que fazemos com os nossos clientes, seis são não comerciais. É muito relacionamento: chamar para um jantar, mostrar a ele em primeira mão um lançamento que está por vir…”, afirma Gabriela.

Os planos futuros incluem novos relógios desenvolvidos em parceria com a marca de Ayrton Senna, reforçando o estreito laço com a família do piloto tricampeão mundial.

“Cada marca é reconhecida por seu território. Queremos ser a marca do motorsport no Brasil”, finaliza.

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