Stunning video reveals the year-round dance of the sun’s corona

Vídeo da Nasa revela a dança da corona solar durante um ano

Tecnologia

Um novo registro visual divulgado pela Nasa permite observar, com riqueza de detalhes e sem qualquer risco para a visão humana, as intensas transformações ocorridas na atmosfera do Sol ao longo de doze meses. As imagens foram obtidas graças à missão PUNCH (sigla em inglês para Polarímetro para Unificar a Corona e a Heliosfera), que monitora continuamente o astro desde junho de 2025 por meio de um coronógrafo capaz de criar um eclipse artificial permanente diante de sua câmera Narrow Field Imager.

A camada mais externa da atmosfera solar, conhecida como corona, apresenta temperaturas surpreendentemente superiores às camadas inferiores em milhões de graus Fahrenheit. Sob esse calor extremo, prótons e elétrons são expelidos continuamente sem conseguir se condensar em átomos. Conforme explica o investigador principal da missão, Craig DeForest, essas partículas tornam-se condutoras elétricas quase perfeitas.

Com a ligação direta entre eletricidade e magnetismo, essas partículas em fluxo espiralam ao redor das linhas do campo magnético do Sol. A luz solar refletida nos elétrons evidencia essas linhas magnéticas em tons dourados brilhantes, intercaladas por violentas ejeções de massa coronal — enormes erupções de plasma magnetizado que se projetam no espaço, lembrando tubos infláveis agitados pelo vento cósmico.

Segundo Alfred de Wijn, engenheiro de pesquisa do Observatório de Alta Altitude da Fundação Nacional de Ciências dos Estados Unidos, que não faz parte da equipe da PUNCH, a luz nos elétrons informa sobre “the amount of particles in the corona and the shape of the magnetic field”. Ele acrescenta: “We can see that the corona is constantly changing as a result of the solar wind—a stream of charged particles—and coronal mass ejections.”

Astros em segundo plano e cometas

Além da dinâmica coronal, o fundo da gravação exibe estrelas que se movem da esquerda para a direita, revelando constelações bem conhecidas. O grupo estelar de Leão surge atrás do Sol em agosto, enquanto parte da constelação de Sagitário aparece em novembro. Os planetas Vênus e Mercúrio também cruzam a cena periodicamente como pontos brancos e reluzentes.

O campo de visão da PUNCH também registrou a travessia de cometas, com destaque para o C/2025 R3 (PanSTARRS). Vindo das áreas mais remotas do Sistema Solar, o cometa realizou uma passagem muito próxima do astro no dia 19 de abril de 2026, marcando uma aparição singular no monitoramento.

Desafio técnico e superação

A missão espacial é composta por quatro satélites distintos alinhados de maneira milimétrica em órbitas polares ao redor da Terra, o que garante vigilância solar ininterrupta. No entanto, o início dos trabalhos enfrentou obstáculos inesperados: a luz solar refletida pela própria Terra atingiu os sensores e ofuscou a fraca luminosidade vinda da corona.

DeForest lembra que, naquele momento inicial, “you couldn’t see a darn thing”. Para solucionar a interferência, a equipe desenvolveu um processamento de imagens avançado, tratando cada quadro como um vetor de quatro milhões de dimensões. A técnica removeu o reflexo instável da Terra e recuperou todos os dados de um ano inteiro, transformando o vídeo final em “a triumph”.

Para o cientista, a conquista traz uma nova perspectiva sobre a nossa posição no espaço. “This is not some distant, abstract system we’re looking at”, destaca DeForest. “We live on the Earth, but our neighborhood is the inner solar system. Being able to see this invisible part of our environment is profound.”

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