Enquanto tempestades urbanas costumam causar transtornos, no sertão nordestino a chegada da água é sempre motivo de festa e renovação. Foi inspirada nessa conexão íntima entre a caatinga e as precipitações que a Catarina Mina revelou a coleção “Bonito para chover”, desfilada nesta quinta-feira (15.10) na SPFW N61. A diretora criativa Celina Hissa transformou esse simbolismo em moda por meio de colares em formato de gota emoldurados por nós de macramê, bordados que simulam pingos e tramas de crochê que desenham as curvas dos rios.
Estreia no upcycling e saberes ancestrais
A nova temporada marcou um passo inédito para a etiqueta: a introdução do upcycling em seus processos de criação. Logo nas quatro primeiras entradas da apresentação, o público conferiu peças em crochê elaboradas por artesãs dos municípios de Caicó e Acari, no sertão potiguar, a partir de sobras têxteis cedidas pela Riachuelo.
Além da novidade sustentável, o desfile ampliou o inventário manual da marca com três técnicas até então não exploradas pela estilista: * Rede de travessa: aplicada em composições de listras multicoloridas, incluindo o look que encerrou a apresentação; * Renda tramoia: confeccionada pelas mãos das integrantes do coletivo Mães do Mar, de Acaraú (CE), presente em tops e sobreposições de saias vermelhas; * Palha de agave de Parnaíba: matéria-prima vinda do Piauí que deu forma e estrutura a vestidos longos.
Essas inovações dialogaram harmonicamente com elementos tradicionais da trajetória da marca, como a renda de bilro, a richelieu de agave e o clássico bordado richelieu.
Fluidez e sofisticação na passarela
Apesar da densidade do trabalho artesanal, a coleção se destacou pelo caimento suave e pela leveza visual. A passarela recebeu vestidos com alças finas ou modelos tomara que caia, túnicas de comprimento alongado, saias midi, calças balonê e robes de corte amplo. Celina também fortaleceu a aposta em trajes de festa elegantes, representados por longos de seda adornados com flores aplicadas na região do busto e conjuntos sofisticados em jacquard de algodão azul-escuro.
O projeto vai além da estética: desde 2020, ao adotar a renda de bilro, Celina Hissa tem atuado na valorização e na formalização do trabalho das rendeiras, ampliando continuamente a rede de profissionais envolvidas. O plano agora é estender essa estrutura de capacitação e geração de renda para as novas técnicas incorporadas nesta edição.
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