Netanyahu diz que pode voltar ao Brasil para posse de Bolsonaro

Netanyahu cogita vir ao Brasil em eventual posse de Bolsonaro

Mundo

O primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu, indicou nesta quarta-feira (14) que pode viajar novamente ao Brasil caso o senador Flávio Bolsonaro (PL) vença a corrida pelo Palácio do Planalto. A declaração ocorre às vésperas do segundo turno das eleições presidenciais, marcado para o próximo dia 25.

“Fomos a um pequeno país chamado Brasil para a posse do presidente Bolsonaro. Quem sabe? Talvez façamos isso novamente”, afirmou o premiê israelense, ao classificar a nação de modo irônico enquanto rememorava sua presença em Brasília, em janeiro de 2019, na posse de Jair Bolsonaro.

O comentário ocorreu ao longo da solenidade de abertura da representação diplomática da Colômbia em Jerusalém. Na ocasião, o premiê recordou seu giro inicial pelo continente sul-americano em 2017 — com escalas em território colombiano, mexicano e argentino — seguido pela viagem oficial em solo brasileiro.

Foco renovado na América Latina

Netanyahu também externou o desejo de intensificar a atuação externa de seu gabinete em direção à região. Diante de aliados, solicitou alterações visuais em seu local de trabalho para destacar os países latino-americanos: “Por favor, alterem [o mapa]. Coloquem um mapa que inclua a América Latina. Por favor, façam isso. Toda a África, toda a Ásia, porque o mundo está voltando”.

A ida de Netanyahu ao território nacional em 2019 consolidou uma fase de forte alinhamento ideológico e comercial entre os dois governos. À época, Jair Bolsonaro acenou com a promessa de mover a sede da embaixada de Tel Aviv para Jerusalém, repetindo o gesto de Donald Trump pelos Estados Unidos. O plano, contudo, não se consolidou.

A disputa sobre a localidade da embaixada carrega grande sensibilidade internacional, já que significa admitir Jerusalém como a capital oficial de Israel. Os palestinos sustentam que Jerusalém Oriental deve sediar a capital de seu futuro Estado, mantendo o tema como um dos pontos centrais da disputa no Oriente Médio.

Desgaste diplomático recente

O cenário de cooperação esfriou de forma drástica sob a gestão de Luiz Inácio Lula da Silva, impactado fortemente pelo conflito armado na Faixa de Gaza.

O atrito atingiu o ápice em fevereiro de 2024, quando declarações de Lula traçaram paralelos entre as operações militares de Israel e o Holocausto. O episódio fez o governo israelense declarar o líder petista como persona non grata. Como reação, a diplomacia brasileira convocou o embaixador Frederico Meyer para consultas e, posteriormente, o alocou em um novo posto, deixando a chefia da representação em Tel Aviv sob encargo temporário de negócios.

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