Instituído oficialmente por lei no ano de 2012, o Dia Nacional da Música Popular Brasileira é comemorado em 17 de outubro como tributo ao nascimento da maestrina e compositora Chiquinha Gonzaga, figura pioneira fundamental para a formação da canção no Brasil. Longe de ser uma fórmula engessada, a MPB segue se transformando e agregando influências do samba, da bossa nova, do soul e dos ritmos urbanos, com uma nova geração que hoje alcança palcos internacionais, indicações ao Grammy Latino e espaço cativo nas trilhas sonoras.
Para celebrar a data em grande estilo, conheça dez nomes de destaque que merecem entrar na sua rotina musical.
Gilsons
Criado em 2018 por José Gil (filho de Gilberto Gil) ao lado dos sobrinhos João Gil e Francisco Gil, o trio aliou as raízes da música baiana e da MPB a harmonias solares, emplacando sucessos como “Várias Queixas”, “Love Love”, “Devagarinho” e “Deixa Fluir”. O projeto inaugural, Pra Gente Acordar, rendeu indicações ao Grammy Latino, ao Prêmio Multishow e ao Prêmio da Música Brasileira, abrindo as portas do Rock in Rio, Lollapalooza Brasil e Coala Festival.
Em março de 2026, o trio colocou no mercado seu segundo disco de estúdio, Eu Vejo Luz Em Maior Proporção Do Que Eu Vejo A Escuridão, assinado na produção por José Gil. Com dez faixas, a obra tem parcerias com Caetano, Moreno e Tom Veloso (“Minha Flor”), Arnaldo Antunes, Narcizinho do Olodum, Julia Mestre e Sona Jobarteh, unindo beats eletrônicos ao violão clássico. A turnê do trabalho já percorreu o Brasil e países da Europa, América do Sul, Austrália e Nova Zelândia.
Os Garotin
Vindos de São Gonçalo (RJ), Cupertino, Anchietx e Leo Guima renovam o espaço da música preta dentro da MPB com misturas de pop, soul e R&B. Após o impacto do EP Os Garotin Session (2023), o álbum de estreia Os Garotin de São Gonçalo garantiu o troféu de Melhor Álbum de Pop Contemporâneo em Língua Portuguesa no Grammy Latino, puxado por canções como “Se Joga” e “Zero a Cem”.
Em maio de 2026, lançaram Força da Juventude, disco com 13 faixas recheado de nomes como Liniker, Marina Sena, Lenine, BK’, Malía, Hamilton de Holanda, Arthur Verocai e 2ZDinizz. Pouco depois de tocarem no Palco Sunset do Rock in Rio 2026 com Duquesa, os artistas realizaram uma turnê europeia por 11 cidades e seguem viajando por capitais brasileiras.
Jorge Vercillo
Com três décadas de carreira e cerca de dois milhões de discos comercializados, Jorge Vercillo é referência pela sofisticação harmônica ao transitar por jazz, R&B, world music e bossa nova. Bicampeão do Prêmio da Música Brasileira por voto popular, o artista construiu colaborações de destaque com Milton Nascimento, Djavan, Maria Bethânia e Ana Carolina.
Em paralelo à turnê comemorativa JV 30 Parte II, Vercillo prepara o lançamento de Todo Sempre, seu 20º álbum de estúdio. Entre as faixas já apresentadas está “Saara no Rio”, gravada com Rik Oliveira (ex-The Voice Brasil). O tema une blues shuffle e jazz para abordar a convivência harmoniosa no centro comercial carioca em contraste com conflitos bélicos globais.
Johnny Hooker
Celebrando 20 anos de trajetória artística, Johnny Hooker reúne passagens pelo cinema, televisão e streaming, além de álbuns emblemáticos como Macumba, Coração e ØRGIA. Entre seus grandes sucessos está a regravação em single de platina de “Beija-Flor”, feita para a novela Segundo Sol, e “Eu Te Desafio a Me Amar”, incluída na série Justiça 2.
Ao comemorar duas décadas de palco, lançou versões repaginadas com parceiros como Pabllo Vittar e divulgou o elogiado disco Viver e Morrer de Amor na América Latina. A produção conta com Ney Matogrosso na faixa-título (indicada ao Grammy Latino), Daniela Mercury em “Eu Quero Ver Pegar Fogo” e Lia de Itamaracá na faixa “A Vida É Um Carnaval”.
Chico Chico
Filho de Cássia Eller, o cantor e compositor Chico Chico despontou em 2015 à frente da banda 2×0 Vargem Alta e conquistou um caminho particular marcado pela visceralidade autoral. Sua composição “A Cidade” foi lembrada no Grammy Latino, e a faixa “Ninguém”, com Fran Gil, acumulou mais de 23 milhões de reproduções após entrar em Vai na Fé.
Depois dos álbuns Pomares (2022) e Estopim (2024), o músico viaja o país com o show Let It Burn / Deixa Arder e organiza sua Eurotour 2026, com apresentações agendadas por 15 cidades em nações como Alemanha, França, Inglaterra, Itália e Espanha.
Mariana Volker
A carioca Mariana Volker alia lirismo, pop e jazz em suas composições. Presente em trilhas globais com regravações em Mania de Você e A Nobreza do Amor, ela já realizou trabalhos em conjunto com Rachel Reis, Maria Gadú e os Gilsons, além de ter feito parte do projeto Raça Humana, de Gilberto Gil.
Seu álbum Feitiço, produzido por Carol Mathias, aborda temas como saudade e paixão sob arranjos acústicos. Entre os pontos altos está a canção “Não Quero Te Querer”, dueto com Maria Gadú indicado ao 33º Prêmio da Música Brasileira.
Pedro Emílio
Nascido em Salvador e radicado na capital paulista, Pedro Emílio viralizou na internet durante o período da pandemia ao interpretar versões diárias de clássicos. Sua sonoridade combina a canção contemporânea ao groove dos anos 1970 e 1980 de Robson Jorge e Djavan.
Seu primeiro disco, Enquanto os Distraídos Amam (2025), concorreu ao Grammy Latino por Engenharia de Gravação. Já em 2026, concorre novamente na premiação com Vende-se Lembrança, trabalho que inclui parcerias com Luedji Luna e Ryan Fidelis, além de render uma indicação como Revelação no Prêmio da Música Brasileira.
Brenno Casagrande
Filho de Paulo Jorge, voz marcante do Olodum, Brenno Casagrande acumula cerca de 800 composições gravadas por estrelas de múltiplos estilos, como Gusttavo Lima, Luan Santana, Claudia Leitte e os próprios Gilsons, colecionando vitórias e indicações ao Grammy Latino.
Após marcar presença no programa Estrela da Casa, o cantor intensificou sua faceta como intérprete solo. Além do projeto audiovisual Na Sala do Casa e das apresentações do NUSOM em Salvador, prepara um disco inteiramente focado na obra de Toquinho.
UANA
Diretamente do Recife, UANA expande os contornos da música brasileira integrando o bregafunk ao afrobeat, house e R&B. Premiada como Revelação no WME Awards e apontada pela revista Forbes Brasil, a artista debutou no formato longo com o álbum Megalomania (2024).
Em 2026, a cantora revelou o disco ESTRELA, trabalho contemplado pelo edital Natura Musical que articula sonoridades do norte da África e ritmos nordestinos. Como reflete sobre a fusão sonora: “É impossível dissociar o meu trabalho dessa fronteira do popular e tradicional”.
Leo Salem
Criado em São Paulo e com experiência prévia ao lado do irmão comediante Rod Salem, o cantor e compositor Leo Salem agora estrutura seu repertório de estreia. O artista resume sua ambição lírica com clareza: “Eu quero ser um agente que fala sobre o amor”.
Antecipando o álbum previsto para 2026, ele apresentou as músicas “Si” e “Sei”, ambas produzidas por Renato Galozzi. Na segunda faixa, o músico retrata o peso do desfecho amoroso com sinceridade após reencontrar uma antiga relação, expressando logo na abertura: “Sei que domingo é pior”.
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