O planeta abriga atualmente oito espécies de ursos, mamíferos pertencentes à família Ursidae que ocupam desde as calotas polares do Ártico até matas tropicais no continente asiático. Entre os membros desse grupo estão o urso-polar, urso-pardo, urso-panda, urso-negro-americano, urso-negro-asiático, urso-malaio, urso-beiçudo e o urso-de-óculos.
A própria árvore genealógica desses animais já gerou discussões na ciência: o panda-gigante foi alvo de debates durante décadas devido a traços semelhantes aos dos guaxinins, mas pesquisas moleculares realizadas em 1985 confirmaram que o animal é, de fato, um urso legítimo.
Em linhas gerais, os integrantes da família apresentam porte robusto, cauda curta e garras fortes não retráteis, além de serem plantígrados — caminham apoiando a planta dos pés e têm facilidade para ficar sobre duas patas. Com exceção do urso-de-óculos, exclusivo dos Andes e único a habitar o Hemisfério Sul, todas as outras espécies vivem no Hemisfério Norte. A pelagem acompanha o clima: é farta nas regiões frias e mais rala em ambientes tropicais. Na fase adulta, eles levam vidas solitárias e mantêm contato prolongado apenas no cuidado materno, que dura de dois a três anos. A expectativa de vida varia entre 25 e 40 anos, sendo menor na natureza em decorrência de perda de habitat, caça ilegal e aquecimento global.
Diversidade e adaptações
As espécies se diferenciam amplamente em termos de tamanho, comportamento alimentar e localização geográfica:
Urso-pardo (Ursus arctos) Presente no Alasca, Canadá, Estados Unidos continental, Europa, Sibéria, Ásia Central e Himalaia, pode medir até 2,8 metros e pesar entre 90 kg e 700 kg. É um animal onívoro voraz, capaz de consumir até 40 kg diários de comida, alimentando-se de vegetais, insetos e grandes mamíferos como alces e bois. Sua subespécie, o urso-pardo-kodiak, chega a ser o dobro do tamanho de outros ursos-pardos.
Urso-polar (Ursus maritimus) Habitante do gelo marinho do Ártico — distribuído por Alasca, Canadá, Groenlândia, Noruega e Rússia —, caça focas para acumular uma capa de gordura isolante de até 10 centímetros. Os machos alcançam entre 2,4 e 3 metros de comprimento e peso de 400 kg a 700 kg, enquanto as fêmeas medem de 1,8 a 2,4 metros e pesam de 150 kg a 400 kg. Considerado o maior carnívoro terrestre, está classificado como vulnerável à extinção devido ao recuo das geleiras.
Urso-negro-americano (Ursus americanus) É a espécie mais abundante da Terra, superando em número a soma de todos os outros ursos. Nativo da América do Norte, alcança 40 km/h e possui pelagens que vão do preto e marrom até tons canela, loiro e branco. Possui extrema destreza nas patas, conseguindo manipular potes e maçanetas, além de hibernar por até sete meses após um período de engorda diária de 1,5 kg.
Urso-panda (Ailuropoda melanoleuca) Símbolo mundial da proteção animal, mede 1,5 metro e atinge 125 kg nas florestas do centro-sul da China. Graças a esforços conservacionistas, a população selvagem chegou a cerca de 2 mil indivíduos em 2018, mudando seu status de ameaçado para vulnerável. A reprodução em cativeiro é delicada porque o ciclo fértil das fêmeas ocorre apenas uma vez por ano, durando entre 24 e 72 horas.
Urso-beiçudo (Melursus ursinus) Encontrado na Índia, Sri Lanka, Nepal e Butão, possui lábio inferior comprido adaptado para sugar cupins e formigas. Pesa entre 55 kg e 145 kg e destaca-se pelos pelos compridos nas orelhas. Apesar de sua caminhada lenta, corre com mais velocidade que um ser humano e tem grande facilidade para subir em árvores e nadar.
Urso-de-óculos (Tremarctos ornatus) Único representante nativo da América do Sul, ocupa florestas úmidas da Cordilheira dos Andes em locais como Venezuela, Colômbia, Equador, Peru e Bolívia. Machos chegam a 115 kg e fêmeas a 65 kg. É um animal prioritariamente vegetariano e com hábitos arbóreos, construindo plataformas nas copas para repousar e guardar alimentos. Ataques fatais a pessoas são raríssimos: há apenas um caso documentado na história, ocorrido após o animal ter sido baleado por caçadores.
Urso-malaio (Helarctos malayanus) Com apenas cerca de 70 centímetros, é a menor das oito espécies. Habita florestas tropicais do Sudeste Asiático, passando a maior parte do tempo nas árvores, entre 2 e 7 metros de altura. Sua alimentação é variada e inclui frutas, mel, sementes, insetos e pequenos vertebrados.
Urso-negro-asiático (Ursus thibetanus) Parente evolutivo da espécie norte-americana, da qual se separou há aproximadamente 3 milhões de anos. Ocorre desde o Irã e Afeganistão até o leste da Ásia, Japão e Rússia. Tem pelagem escura com uma mancha em formato de V no peito e pesa de 40 kg a 200 kg. Apresenta membros traseiros mais curtos, mas incrivelmente adaptados à escalada, mantendo a capacidade de subir em árvores mesmo diante de fraturas nas patas posteriores.
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