A influenciadora Ashley St. Clair revelou ter recusado uma oferta de US$ 40 milhões para manter silêncio absoluto sobre sua relação com Elon Musk, com quem teve um filho em 2024. A declaração surge em meio à repercussão de sua participação em “Musk”, documentário com quase quatro horas de duração dirigido pelo cineasta oscarizado Alex Gibney.
Cansada do assédio público, St. Clair desabafou sobre o interesse constante em torno da convivência com o magnata. “As pessoas me tratam como se eu fosse uma espécie de psicanalista do Elon”, afirmou. “Querem saber: ‘Como é passar tempo com ele?’ ou dizem: ‘Poucas pessoas passaram algum tempo a sós com ele’. É irritante e cansativo.”
Para ela, o debate ultrapassa a esfera pessoal. “Isso diz respeito a uma podridão mais profunda em nossa sociedade, na qual equiparamos capital a moralidade”, ressaltou. “Há um nível de confiança, tanto social quanto individual, que depositamos nas pessoas quando elas têm dinheiro.”
Bilionário rebate acusações
Musk não se manifestou formalmente via assessoria, mas usou o X (antigo Twitter) para contestar as afirmações. Em sua publicação, declarou: “Isso nunca foi oferecido a ela, que tem um histórico de mentir”. Sobre o filme de Alex Gibney, o empresário também disparou críticas: “Gibney simplesmente reuniu uma lista de pessoas que ou têm contas a acertar ou nem sequer me conhecem”.
Gibney conheceu Ashley no final de 2025 e destacou o papel da entrevistada na obra: “Além da obsessão de Musk por ter filhos, Ashley teve uma visão privilegiada da campanha de 2024 e conseguiu me contar coisas que eu não sabia sobre as motivações de Musk”.
Abaixo, os principais trechos do relato de St. Clair:
Participação no documentário Ela afirma não ter hesitado em participar da produção e diz ter se impressionado com as semelhanças entre os depoimentos. Justine Wilson, primeira esposa de Musk, o filósofo Sam Harris e o especialista em IA Geoffrey Hinton também aparecem na obra. “Acho que, quando se consegue reunir pessoas que nunca conversaram entre si e fazer com que seus relatos formem uma narrativa coerente, isso é a verdade”, comentou.
O início do contato Em 2023, quando atuava no portal satírico e conservador The Babylon Bee e já cuidava de um filho solo, Musk começou a segui-la no Twitter e enviou mensagens privadas. “Comecei a receber mensagens de pessoas do MAGA dizendo ‘Parabéns!’. Imediatamente, houve quem dissesse: ‘Ela vai ser a próxima mãe de um filho dele’. Eu estava prestes a completar 24 anos.”
O primeiro encontro ocorreu de forma repentina, quando viajou no jatinho particular do empresário até Rhode Island. “Dividimos um quarto de hotel, e ele adormeceu ouvindo um podcast sobre Kublai Khan. Tudo foi muito surreal”, relembrou.
A decisão de ter um filho As conversas sobre gravidez começaram no início de 2024, em Saint Barth. Ela relata que Musk teria insistido: “Você deveria ter dez filhos! Vamos ter um filho. Meu único recurso limitado é o tempo”.
O receio surgiu após observar a batalha judicial entre o empresário e a cantora Grimes. “Isso me fez pensar: ‘Preciso me proteger’.”
A proposta de confidencialidade Apenas dois meses após o parto, Ashley afirma ter recebido uma mensagem temporária no aplicativo Signal enviada por Jared Birchall, gestor financeiro de Musk. O contrato exigia veto total a menções públicas sobre Musk, regra extensiva aos herdeiros. O documento permitia contar a paternidade à própria criança, mas proibia que o outro filho soubesse. Em troca, previa US$ 15 milhões à vista e US$ 100 mil mensais por 21 anos.
St. Clair recusou. Segundo ela, Birchall questionou: “Por quê? Parece que você quer usar sua liberdade de expressão como arma”. Ela rebateu afirmando que a dignidade dos filhos não estava à venda.
“As pessoas precisam entender que parte do motivo pelo qual tenho tanto destaque no documentário é que outras pessoas não podem falar”, explicou. “Sinto que tenho a obrigação moral de falar sobre minha experiência.”
Ruptura política e autocrítica
A influenciadora também abordou seu distanciamento gradual do movimento conservador MAGA (Make America Great Again), admitindo omissão diante de discursos discriminatórios que antes endossava.
Questionada sobre o impacto de publicações com teor transfóbico, racista e misógino feitas no passado, ela admitiu o peso das próprias ações ao ver hospitais encerrando tratamentos de afirmação de gênero. “Quando li aquilo, senti um remorso imenso. Sei que isso provavelmente teria acontecido sem mim, mas ainda me sinto culpada pelo papel que desempenhei.”
“Minha única função, depois de anos de propaganda e desonestidade e de quase uma década de envolvimento com o MAGA, é ser honesta e dar o exemplo aos meus filhos. Minha função não é criar uma nova narrativa sobre mim mesma. Minha única função é prestar contas”, concluiu.
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