A SAÚDE DO CORAÇÃO PODE COMEÇAR NO PRATO, MAS NÃO DO JEITO QUE VOCÊ IMAGINA

Saúde do coração depende da qualidade da dieta, aponta ACC

Entretenimento

Uma alimentação voltada à saúde do coração não precisa ser definida por um único alimento, nutriente ou regra. Uma nova declaração científica do American College of Cardiology (ACC), publicada no Journal of the American College of Cardiology, reforça que o que mais importa é a qualidade da alimentação como um todo e a manutenção de escolhas saudáveis ao longo do tempo.

O documento reúne evidências recentes sobre alimentação e saúde cardiovascular e também aborda temas como alimentos ultraprocessados, nutrientes, diferentes padrões alimentares e novas estratégias nutricionais.

Menos foco em um nutriente, mais atenção ao prato Durante muito tempo, as discussões sobre alimentação e coração ficaram concentradas em perguntas como quanto de gordura ou carboidrato uma pessoa deveria consumir.

A declaração do ACC aponta para uma abordagem mais ampla. Segundo os especialistas, o risco cardiovascular está mais relacionado à qualidade dos alimentos, às fontes dos nutrientes e ao grau de processamento do que simplesmente à proporção de carboidratos, gorduras e proteínas da dieta.

Na prática, isso significa olhar para o conjunto das escolhas feitas no dia a dia, e não transformar um único ingrediente no centro da alimentação.

O que aparece com mais frequência A recomendação valoriza alimentos de origem vegetal e pouco processados, como frutas, verduras, legumes, grãos integrais, castanhas e sementes. Também entram nesse padrão fontes de proteínas e gorduras consideradas mais favoráveis à saúde cardiovascular, como peixes e óleos vegetais.

Ao mesmo tempo, a orientação é reduzir a presença de alimentos com excesso de açúcares adicionados, sódio, amidos refinados, gorduras saturadas e produtos ultraprocessados de baixa qualidade nutricional.

A água e outras bebidas sem açúcar também são priorizadas, enquanto bebidas açucaradas devem ser limitadas.

Não existe uma única fórmula A declaração também destaca que diferentes padrões alimentares podem estar associados à proteção cardiovascular. Entre os modelos com maior respaldo científico estão a alimentação mediterrânea e a dieta DASH, voltada ao controle da pressão arterial.

A mensagem, portanto, não é que todo mundo precise seguir exatamente o mesmo cardápio. A ideia é priorizar uma alimentação de boa qualidade que seja possível manter de forma consistente.

E as dietas da moda? O documento também ajuda a colocar as tendências alimentares em perspectiva. A questão central não é encontrar um alimento considerado milagroso ou eliminar completamente um determinado nutriente, mas construir um padrão alimentar equilibrado e sustentável.

Até mesmo para pessoas que utilizam medicamentos da classe dos agonistas de GLP-1, a declaração ressalta a importância de manter uma alimentação nutricionalmente adequada, com proteínas, fibras, vitaminas e minerais suficientes.

Outro ponto destacado pelos especialistas é que alimentação saudável não depende apenas de escolhas individuais. Preço, disponibilidade e acesso aos alimentos também influenciam diretamente a qualidade da dieta.

No fim, a orientação é menos sobre encontrar a dieta perfeita e mais sobre construir um padrão de alimentação que reúna boas escolhas de maneira consistente — uma abordagem que pode ser mantida no cotidiano e que contribui para a prevenção e o cuidado com a saúde cardiovascular.

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