O presidente Lula (PT) declarou nesta segunda-feira (19) que vai autorizar a abertura dos sigilos telefônico e bancário dele próprio e de seus entes queridos, incluindo os cinco filhos. O material será protocolado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) nesta terça-feira (20), cumprindo o desafio lançado ao seu oponente, Flávio Bolsonaro (PL), durante o debate televisionado pela Band na noite de domingo (18).
Durante um evento político em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, o petista informou que o documento será entregue diretamente ao chefe do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, além de ser encaminhado ao Supremo Tribunal Federal (STF), conforme detalhou a equipe de campanha. O chefe do Executivo repudiou os ataques deferidos pelo adversário e assegurou que não tolerará ofensas à sua reputação e à de seus parentes. “Enquanto eu estiver vivo, ladrão nenhum, fascista, miliciano desqualificado nenhum vai governar esse País”, declarou.
Cobrança por transparência e embate político
O mandatário também tachou o concorrente de miliciano e exigiu esclarecimentos a respeito da evolução patrimonial do parlamentar do PL, criticando a insistência do oponente em se posicionar atrás dele durante o confronto televisivo. “Eu não posso permitir que um miliciano fique atrás de mim no debate, com o escrito na mão ‘corrupto’”, afirmou o presidente e candidato à reeleição. Até o encerramento desta segunda-feira, a chapa de Flávio Bolsonaro não havia se manifestado sobre a aceitação ou recusa da proposta pública.
A promessa de devassa nos dados surgiu após questionamentos de Flávio direcionados a Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, primogênito do atual presidente. Em resposta, Lula argumentou que as informações financeiras e de comunicação de sua família estarão à disposição das autoridades competentes e instou a oposição a adotar o mesmo nível de abertura. A estratégia foi endossada pelo coordenador de campanha, Camilo Santana, que confirmou o envio dos termos à Justiça.
Origem do embate e próximos passos
A disputa teve início no domingo (18), quando Lula sugeriu que ambos abrissem mão do sigilo de suas famílias para escrutínio judicial, após o senador levantar suspeitas envolvendo o entorno presidencial. Em retaliação, o petista questionou a origem dos recursos utilizados pelo adversário na compra de uma mansão de cerca de R$ 10 milhões em Brasília, confrontando a compatibilidade dos ganhos entre eles.
Além disso, cobrou explicações sobre o caso envolvendo o Banco Master e o filme do ex-presidente Jair Bolsonaro. “Quero saber onde estão os R$ 134 milhões do Banco Master”, disse Lula, ao cobrar explicações sobre o dinheiro relacionado ao filme de Jair Bolsonaro. O candidato do PL enrolou, zombou e fugiu das respostas.
O acirramento dos ânimos antecede o último compromisso televisivo da corrida eleitoral do segundo turno, marcado para o próximo domingo, 25 de outubro. Antes disso, os postulantes ao cargo máximo do país se encontram no debate da TV Globo nesta sexta-feira, 23 de outubro, a partir das 21h20 (horário de Brasília). O evento ocorrerá nos estúdios da emissora no Rio de Janeiro, com mediação do jornalista César Tralli e confirmação de presença de ambas as campanhas.
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