SPFW N61: Foz

Estradas brasileiras inspiram a nova coleção da Foz na SPFW N61

Cultura

Uma viagem de carro realizada no final do ano passado entre São Paulo, onde mora atualmente, e o Ceará serviu de ponto de partida para a nova coleção da marca Foz, apresentada no domingo (18.10) durante a São Paulo Fashion Week N61. O trajeto foi idealizado pelo estilista alagoano Antônio Castro em sua busca pessoal por raízes e identidade. “Estava procurando pelo meu próprio lar e quis entender o Brasil pelas nossas estradas”, diz. Seus objetos de estudo foram as casas ao redor do país – e o que acontece dentro delas.

O cotidiano brasileiro nas passarelas

O designer traduz isso por meio de símbolos conhecidos, ordinários até. Em um look, há a imagem de uma namoradeira cercada por uma cortina. Em outro momento, ele aplica almofadas em um vestido. Os franzidos das capas de sofá viram tops colados ao corpo, enquanto desenhos de ponto cruz, geralmente encontrados em panos de prato, decoram blusas. Já as saias com várias camadas são feitas de chita, tecido emblemático das festas de São João no Nordeste.

O estilista também introduz um ar sensual na coleção. Alguns modelos usam sungas, camisas abertas, cardigans de patchwork e micro-shorts. As peças masculinas deixam mais pele à mostra. Na versão feminina, Antônio borda duas mulheres se beijando e um casal fazendo sexo na janela. “A Foz começou a transar”, fala, brincando.

Inovações e técnicas artesanais

Outra aposta é nos volumes arredondados, como é o caso da saia e do vestido feitos de jacquard. É a primeira vez que Antônio usa crinol, barbatanas e corsetaria interna para estruturar suas peças, que costumam ser mais fluidas. O uso da renda irlandesa, de Divina Pastora, Sergipe, e dos bordados de pedrarias e flores 3D, de Timbaúba dos Batistas, Rio Grande do Norte, também é inédito. A novidade foi patrocinada pelo Instituto Riachuelo.

Ao lado de outras marcas do calendário paulistano, como Catarina Mina e Marina Bitu, a Foz é responsável por uma bem-vinda tentativa de manter o artesanato nordestino vivo por meio do incentivo e da investigação dessas técnicas. Antônio as chama de “alta-costura brasileira”. E, assim como na semana de moda de couture de Paris, seu desfile também termina com uma noiva. Aqui, porém, no lugar de um buquê, a modelo Mikaela Gomes segura uma Constituição Brasileira de 1988 cravejada de cristais.

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