O setor de entretenimento ao vivo vive uma fase de intensa transição, impulsionada por mudanças tanto no comportamento de quem consome quanto na estratégia de quem produz. Fundada há cerca de oito anos, a Mango surgiu em um período em que artistas sem gravadora começavam a lançar músicas de forma independente e enfrentavam barreiras para se apresentar pelo país. O objetivo inicial era abrir espaço para esses novos talentos, que hoje já conseguem encontrar oportunidades nos palcos. Contudo, o cenário atual mostra uma forte saturação, tanto na quantidade de shows quanto na variedade de conteúdos disponíveis.
Atualmente, o maior obstáculo ao planejar uma turnê, festival ou show está na busca por atrações inéditas que garantam alta venda e engajamento, viabilizando o projeto para todos os envolvidos. A realidade financeira mudou: nem todo evento garante bilheteria esgotada, e nem toda experiência de marca compensa o alto investimento financeiro necessário. Com os custos elevados, atingir o ponto de equilíbrio tornou-se uma tarefa complexa.
O fim da euforia pós-pandemia Após quase três anos de pós-pandemia e a euforia dos eventos presenciais, o mercado reaprende a valorizar o nicho, a experiência real e o trabalho junto a comunidades culturais. O impulso de sair para aproveitar tudo sem critério ficou no passado. Hoje, o público exige excelência desde a qualidade das bebidas até o sistema de som e os espaços de conforto, somado a uma curadoria que precisa ser impecável na era digital.
Com a música brasileira em alta, o padrão das produções nacionais passou a espelhar a grandiosidade de turnês internacionais em estádios, gerando tanto grandes sucessos quanto fracassos expressivos. Isso reforça a necessidade de um conteúdo com demanda sólida e bem trabalhado. O formato comum já não atrai facilmente, e o consumidor, embora disposto a investir em cultura, é bombardeado por diversas opções de compra.
O futuro dos festivais e a jornada do público Enquanto o mercado demanda mais novidades, fechar a conta dos projetos ficou mais difícil, gerando um problema de reciclagem e de espaço para novos artistas e pequenas casas de espetáculos. Os palcos menores estão escassos, e o público perdeu o hábito de ver novos talentos em sua rotina ou de investir neles. Nos últimos 4 anos, passamos a descobrir novos artistas nos festivais, mas agora que a conta está mais difícil de fechar, a pergunta que fica é: como vamos descobrir esses novos artistas?
Compreender a jornada do cliente tornou-se fundamental, pois a experiência começa muito antes da entrada no evento. É preciso considerar a conveniência, facilidade de acesso e os gastos com transporte, alimentação, hospedagem e ingresso. O desafio dos produtores é equilibrar valor, memorabilidade e sustentabilidade financeira, resultando em um público que avalia mais e compra os ingressos bem perto da data do evento, salvo raras exceções de conteúdos inéditos com alta demanda reprimida.
Para os próximos cinco anos, o sucesso dependerá do branding, de um posicionamento assertivo e da retenção de demanda, liderados por marcas e comunidades culturais. Não basta mais erguer uma estrutura e garantir um bom show musical. O desafio atual exige criar conteúdos relevantes que cativem o público antes, durante e depois de toda a experiência.
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