A transição para a menopausa, conhecida como perimenopausa, traz transformações visíveis para a pele, como o afinamento, a perda de firmeza e a sensação de que o hidratante comum já não é suficiente. Esse processo é impulsionado por alterações hormonais, com destaque para a queda do estrogênio.
O hormônio desempenha um papel crucial na conservação da derme, estimulando os fibroblastos, que são as células encarregadas de fabricar colágeno e elastina, proteínas essenciais para garantir a elasticidade e a sustentação dos tecidos. Com a diminuição hormonal, a pele perde parte de sua capacidade de reter água e de manter as fibras firmes. De acordo com a Academia Americana de Dermatologia, a perda de colágeno pode chegar a cerca de 30% nos primeiros cinco anos da perimenopausa.
Vale destacar que os impactos mudam de mulher para mulher, sendo influenciados por idade, histórico genético, exposição solar acumulada e estilo de vida.
Ativos recomendados para pele menopausada
De olho nesse público, a indústria cosmética tem apostado em linhas específicas para combater rugas, flacidez e ressecamento nessa fase, unindo ingredientes inovadores e já consagrados na dermatologia.
Entre os ativos com respaldo científico estão os retinoides, a exemplo do retinol presente em cosméticos e do ácido retinoico, medicamento de uso tópico. Conforme explica a dermatologista Ana Carolina Sumam, eles estimulam a produção de colágeno ao atuarem sobre as células da pele responsáveis pela síntese dessa proteína. Com isso, podem melhorar a textura e a firmeza.
Outro ingrediente estudado por seus efeitos sobre a pele é o resveratrol, composto com propriedades antioxidantes. Pesquisas sugerem que ele pode ajudar a proteger contra danos associados ao envelhecimento e influenciar a atividade dos fibroblastos, células responsáveis pela produção de colágeno. O silício também é investigado por seu possível papel na formação e manutenção dos tecidos conjuntivos, embora os efeitos de ambos dependam da forma química, da concentração e da formulação.
Essas substâncias integram formulações como a linha Botik Resveratrol + Silício, desenvolvida para mulheres na menopausa, que reúne o Sérum de Alta Potência Resveratrol e Silício e o Creme Nutritivo Firmador Resveratrol e Silício. Segundo Mayara Miranda, gerente sênior de categoria facial e solar do grupo, “em testes clínicos e testes in vitro com pele ex vivo [modelo de tecido cutâneo humano real, geralmente obtido como sobra de cirurgias plásticas ou biópsias], o uso da linha completa demonstrou aumentar o colágeno em até 50%”.
Outra opção é a linha Avon Renew MenoPro, que conta com o Sérum Ultra Repositor de Barreira e Colágeno, formulado com o Protinol, tecnologia patenteada da marca. O produto também traz extrato de amora com ação antioxidante que, segundo Priscila Moncayo, gerente de desenvolvimento de produtos da marca, ajuda a proteger o colágeno contra a degradação.
Apesar dos benefícios, a especialista ressalta que os cosméticos possuem limitações. “Os cremes têm uma penetração limitada na pele e eficácia restrita no que diz respeito ao aumento da produção de colágeno”, enfatiza Sumam. Por esse motivo, “em caso de alterações de flacidez mais acentuadas, o ideal é que se procure um profissional,. Ele pode indicar procedimentos dermatológicos em que a paciente vai se beneficiar ainda mais”, aconselha.
Hidratação e reforço da barreira cutânea
Manter a pele hidratada é outro pilar fundamental nessa etapa. O ácido hialurônico atua atraindo e retendo água, o que ajuda a preservar a superfície hidratada e a suavizar temporariamente as linhas finas. A glicerina cumpre papel parecido, enquanto as ceramidas reforçam a barreira cutânea, diminuindo a perda de água.
A linha Neovadiol, da Vichy, aposta em itens como o Sérum Multicorretor de Sinais da Idade e o Creme Nutritivo Redensificador, que trazem ômega 6 para repor lipídios e o Proxylane, molécula patenteada pela L’Oréal. De acordo com Gabriela Hansen, da comunicação científica da Vichy, o componente atua sobre componentes da matriz extracelular, estrutura que dá sustentação à pele. A formulação também inclui extrato de cássia, “que auxilia na regulação dos níveis de cortisol na pele através da modulação de algumas enzimas”, pontua Hansen.
Já a vitamina C complementa os cuidados com forte ação antioxidante, participando da síntese de colágeno e auxiliando na atenuação de manchas e na uniformização do tom.
Cuidados diários e orientação profissional
Apesar de ser possível iniciar uma rotina de skincare de forma autônoma, a recomendação da dermatologista Ana Carolina Sumam é buscar acompanhamento especializado para identificar necessidades específicas, como a presença de rosácea ou acne, e evitar o uso excessivo de ácidos que possam irritar peles sensíveis.
O ritual diário básico costuma envolver limpeza, uso de sérum e hidratação. Pela manhã, a rotina deve ser encerrada com protetor solar de amplo espectro com FPS 30 ou superior nas áreas expostas. Conforme lembra a médica, essa etapa é indispensável, já que a radiação ultravioleta degrada o colágeno, provoca manchas e aumenta o risco de câncer de pele.
Além dos produtos, pequenos hábitos diários fazem a diferença: aplicar o hidratante com a pele ainda úmida após o banho otimiza a retenção de água. Evitar banhos longos e muito quentes, bem como sabonetes agressivos, previne o ressecamento excessivo, sendo preferível o uso de água morna e produtos suaves. Por fim, não fumar, manter uma alimentação equilibrada, priorizar o sono e praticar atividades físicas são atitudes essenciais para a saúde integral e o bem-estar da pele.
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