Melted Videos e Reglab vão usar humor para mapear tendências de consumo; entenda

Melted Videos e Reglab unem forças para analisar tendências de consumo

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A página de memes Melted Videos, que conta com 6 milhões de seguidores, uniu-se ao centro de pesquisa em mídia e tecnologia Reglab para lançar o Melted Culture Lab na segunda-feira, 19. O laboratório é dedicado à análise profunda da cultura digital no Brasil e tem como missão converter memes, interações nas redes sociais e diferentes sinais de comportamento em dados concretos. A meta é auxiliar empresas na tomada de decisões estratégicas ligadas ao consumo, à comunicação e às novas tendências de mercado.

Segundo Pedro Henrique Ramos, diretor-executivo do Reglab, a proposta é diminuir a dependência de avaliações baseadas puramente na intuição ou na experiência de especialistas, um cenário ainda comum no setor. Em entrevista ao TecMundo, Ramos explicou que a iniciativa busca desenvolver métodos que permitam às empresas fundamentar seus planejamentos de médio e longo prazo em dados verificáveis. “A gente quer transformar o mercado ou melhor o setor assim o que tá nascendo no Brasil de tendências e foresight em algo baseado em evidências”, disse.

O humor como ferramenta analítica

O laboratório colocará o humor no centro de suas investigações, partindo do princípio de que os memes ultrapassam o entretenimento e atuam como veículos de expressão social, cultural e política. O respaldo para essa visão vem de um levantamento de 2019 da Globosat em parceria com a Consumoteca, realizado com mil pessoas por todo o país. O estudo revelou que 57% dos participantes seguiam páginas de memes e que 73% já haviam se informado sobre política por meio dessas publicações.

Para decodificar esse material, a iniciativa unirá a vivência da Melted na criação de conteúdos e gestão de comunidades com o rigor metodológico do Reglab. O plano envolve estudos de cenários, técnicas de análise de futuros e a detecção de sinais fracos e fortes — conceitos que ajudam a distinguir indícios incertos de transformações consolidadas.

“Não é só isso, a gente quer usar o humor como matéria-prima porque entendemos e já temos dados sobre isso, de que memes e humor na cultura digital brasileira é uma parte relevantíssima”, afirmou Ramos, também ao TecMundo. Ele destacou que a detecção de tendências exigirá o cruzamento de múltiplas fontes e a comprovação de que certos comportamentos são consistentes ao longo do tempo, evitando confusões com simples virais passageiros.

Como exemplo, o executivo citou o uso de emojis, ressaltando que análises preliminares apontam o símbolo de mãos em oração como um dos mais expressivos no ambiente digital brasileiro, assumindo tons de agradecimento, ironia ou outros significados conforme o contexto. Para ele, essa pluralidade demonstra o perigo de examinar a cultura digital sem considerar as particularidades regionais.

Cronograma e modelos de negócios

Yuri Zero, CEO e sócio da Melted, pontuou que a capacidade dos memes de resumir temas complexos justifica o foco acadêmico e mercadológico sobre eles. “O meme tem uma característica muito potente do formato, que é a capacidade de condensar mensagens muito complexas e muito profundas às vezes, mesmo sem parecer”, declarou à mesma fonte.

A primeira grande entrega do laboratório será o estudo intitulado “O Estado da Cultura Digital”, programado para o primeiro trimestre de 2027. O material compilará comportamentos, narrativas e mutações de linguagem mapeados ao longo de 2026, com o intuito de projetar cenários culturais para o ano seguinte. Embora o acervo da Melted sirva de base, a equipe planeja contrastar esses dados com publicações de outros perfis, inclusive os que fogem do nicho de humor, para assegurar a robustez dos achados.

O laboratório funcionará sob duas frentes comerciais principais: na primeira, companhias poderão encomendar pesquisas sob medida, como análises sobre a relação de uma marca com a Geração Z; na segunda, a equipe produzirá investigações próprias em busca de patrocinadores. Ramos garantiu que o aporte financeiro externo não interferirá na imparcialidade dos resultados.

As empresas contratantes terão o direito de manter uma pesquisa privada em sigilo, mas não poderão modificar as conclusões obtidas. A ideia é preservar a autonomia analítica do laboratório e entregar dados e cenários transparentes ao mercado.

A parceria também fortalece a trajetória da Melted, fundada em 2014 e atuante na prestação de serviços de estratégia e criação para agências e marcas. Zero ressaltou que, embora o histórico da página não represente a totalidade da população brasileira, ele funciona como um retrato valioso de uma parcela conectada do país. “O mais forte disso é o nosso acervo, que é um grande recorte do Brasil”, pontuou.

Rebatendo a visão de que o entretenimento carece de relevância social, Zero concluiu: “Não é porque o meme entretém que ele não tem função social ou não tem uma função de ser uma crítica”. Essa premissa fundamenta o objetivo do laboratório de investigar como o humor reflete percepções sobre custo de trabalho, economia e consumo, municiando empresas com informações vitais para o lançamento de produtos e campanhas publicitárias assertivas.

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