A alta cúpula do TikTok teria negligenciado advertências de colaboradores a respeito dos perigos que a rede social oferece ao público infantil, falhando em implementar barreiras para defender menores de idade contra exploração sexual, conteúdos suicidas e outros materiais nocivos. A revelação veio à tona por meio de registros judiciais divulgados pela NPR na terça-feira (20).
Os arquivos contêm depoimentos prestados por contratados da plataforma de vídeos curtos em um tribunal federal dos Estados Unidos, ocorridos em março. De acordo com a apuração, esses profissionais expressaram forte insatisfação diante da apatia da chefia frente aos relatórios de risco enviados.
O que relataram os funcionários
Conforme a publicação, os depoentes advertiram os gestores que perfis de menores apareciam em publicações de cunho sexual, comercializadas dentro do próprio ambiente virtual sem qualquer intervenção corretiva da empresa. Como o acesso a tais mídias exigia transações financeiras, os colaboradores argumentaram que a corporação estaria obtendo lucro com operações potencialmente ilegais.
Os relatos também indicam que crianças e adolescentes burlavam vulnerabilidades do sistema para assistir a vídeos com restrição etária. Através de artifícios para contornar as travas de idade, os usuários conseguiam ocultar dos pais as produções impróprias para menores de 18 anos.
Além disso, os documentos apontam que o aplicativo evitou realizar investigações demográficas para apurar a idade exata de sua base de usuários. A motivação para essa recusa seria o temor de expor os dados à Comissão Federal de Comércio dos EUA (FTC), que iniciou uma investigação contra a companhia em 2024 devido à coleta e ao armazenamento de informações de menores de 13 anos sem a devida autorização.
O aplicativo de origem chinesa, somado a gigantes como Google, Meta e Snap, também respondeu a uma ação judicial ajuizada em 2022. Na ocasião, as companhias foram responsabilizadas por estruturar seus algoritmos de maneira prejudicial a crianças e adolescentes, além de omitirem os perigos inerentes ao uso de suas ferramentas.
Defesa da plataforma
Em contato com o TechCrunch, um porta-voz do TikTok declarou que a reportagem inicial desconsiderou documentos e mecanismos capazes de refutar os depoimentos. Segundo ele, os dados distorcem a trajetória e os recursos de segurança da empresa.
“Essas citações e alegações são claramente selecionadas a dedo a pedido de advogados de defesa e usadas para reescrever nossa história de forma imprecisa e enganar o público sobre nosso compromisso com a segurança dos jovens e o funcionamento da nossa plataforma”, disse o representante do TikTok.
O pronunciamento acrescenta ainda que a rede social aplicou “bilhões de dólares” em segurança, introduzindo dezenas de ferramentas voltadas exclusivamente à proteção de menores.
Vale lembrar que, recentemente, a plataforma foi penalizada com uma multa de R$ 153 milhões no Brasil em decorrência da forma como gerenciava dados de crianças e adolescentes.
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