A adoção da escala 5×2 deixou os funcionários mais felizes, elevou a produtividade e manteve a lucratividade da rede de supermercados Savegnago, conforme relatou o CEO da empresa, Chalim Savegnago. A mudança foi implementada em janeiro, antes da aprovação definitiva no Congresso, facilitando o preenchimento de vagas — especialmente durante a inauguração de uma unidade em Indaiatuba, no interior paulista. Apesar dos avanços, o grupo ainda não registrou melhorias significativas nas taxas de rotatividade e de absenteísmo, que englobam faltas justificadas e injustificadas.
Na prática, a transição exigiu ajustes operacionais. O tempo de almoço foi reduzido de 1 hora e 50 minutos para 1 hora e 10 minutos, e o expediente de domingo passou a encerrar mais cedo, às 18h. Com a jornada mantida em 44 horas semanais divididas em cinco dias, os colaboradores passaram a cumprir 8 horas e 48 minutos diários. “Nossos clientes também vão trabalhar duas horas a menos por semana. Eles vão ter mais tempo disponível também para fazer suas compras no comércio, então eu não preciso ficar tanto mais tempo aberto”, afirmou o executivo.
Como efeito colateral positivo, a empresa economizou com vale-transporte e vale-alimentação, além de observar uma queda nos acidentes de trânsito no trajeto dos funcionários. No entanto, para enfrentar a futura redução da jornada para 40 horas semanais prevista para 2028, a estratégia será encurtar o tempo de funcionamento das lojas para evitar uma oneração estimada em 17% na folha de pagamento com a contratação de novos empregados.
O regime por hora como complemento e os desafios da economia
Para dar maior flexibilidade ao setor, Savegnago defende o regime de trabalho por horistas como um complemento ideal ao quadro CLT, permitindo que estudantes ou pessoas em busca de renda extra tenham jornadas pontuais mediante acordo prévio. “Não pode ele chegar para trabalhar de manhã, e eu falo: ‘não, hoje eu não preciso de você, pode voltar para casa’. Ele tem que saber os dias que tem o compromisso, e eu tenho que saber os dias que ele tá vindo”, explicou.
Questionado sobre o endividamento das famílias e os reflexos econômicos atuais, o presidente-executivo apontou os juros elevados como um entrave para o país e fez duras críticas ao impacto das apostas esportivas: “Eu responsabilizo a bet por uma grande parte desse endividamento, que arrastou a população brasileira para um buraco.” Com endividamento zero, a companhia segue focada em consolidar sua expansão no interior de São Paulo, onde opera 64 lojas de varejo e 13 unidades do Paulistão Atacadista, empregando atualmente 14,3 mil pessoas.
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