Alunos da Belas Artes marcam protesto em SP após reitor usar email para criticar Lula

Estudantes da Belas Artes protestam em SP após reitor criticar Lula

Educação

Estudantes do Centro Universitário Belas Artes, em São Paulo, organizaram uma manifestação para esta quinta-feira (22) após o reitor da instituição, Paulo Cardim, usar o e-mail institucional para criticar o governo Lula (PT).

Nos últimos meses, Cardim enviou aos professores uma série de e-mails com críticas ao PT, artigos alertando sobre o risco do comunismo e caricaturas do presidente Lula. O corpo docente denunciou o caso ao SinproSP (Sindicato dos Professores de São Paulo) por entender que a situação configura assédio eleitoral.

Os estudantes decidiram convocar o ato em frente à instituição. Para os organizadores, o ambiente de constrangimento e pressão política dentro da faculdade é um sintoma dos riscos que a democracia brasileira corre.

Procurados, o centro universitário e o reitor disseram que não irão se posicionar.

“Os estudantes não têm e não terão medo de qualquer tentativa de silenciamento sobre o nosso livre direito de exercer a política e defender nossas escolhas na rua, como historicamente o movimento estudantil brasileiro tanto faz”, diz carta divulgada pela direção das universidades privadas da UEE-SP (União Estadual dos Estudantes de São Paulo).

O conteúdo dos e-mails Nos e-mails institucionais, assinados por Cardim, uma das mensagens trazia a foto de Lula com o rosto sujo de lama e a frase “o inimigo é suja”. Outra trazia uma caricatura do presidente ao lado de Karl Marx e Paulo Freire, dizendo “para reflexão: pobre qualidade do ensino ministrado no nosso querido Brasil.”

O reitor também compartilhou pelo e-mail uma imagem com um homem atirando em um alvo com a mensagem: “não tenho político de estimação, tenho critérios. Meu voto vai para quem não faz traficante sorrir, criminoso aplaudir ou corrupto comemorar.”

Ele também encaminhou textos criticando o fim da escala 6×1, petistas e comunistas. “Vai virar crime trabalhar seis dias”, dizia um dos artigos compartilhados pelo reitor.

Ações judiciais e histórico de controvérsias Após a denúncia feita pelos professores, a diretoria do SinproSP chamou o reitor para uma reunião, mas ele não compareceu.

O sindicato levou o caso ao Ministério Público do Trabalho, Ministério Público Eleitoral e para o Tribunal Superior Eleitoral —até o momento não há nenhuma decisão da Justiça sobre o caso.

Não é a primeira vez que estudantes e professores relatam incômodo com a postura de Cardim. Em 2022, os alunos fizeram um protesto contra uma postagem feita pelo reitor a favor da reeleição de Jair Bolsonaro.

O posicionamento político de Cardim foi feito no blog Direto da Reitoria, mantido no site oficial da instituição. Naquela ocasião, ele enviou um e-mail para a comunidade acadêmica dizendo que os textos representavam apenas sua opinião pessoal e não retratavam os valores do centro universitário.

Após a repercussão, ele apagou o texto.

A manifestação marcada para esta quinta conta também com o apoio de estudantes de outras instituições, como a ESPM, Fapcom e FGV.

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