A American Airlines revisou nesta quinta-feira (22) suas projeções financeiras e passou a prever um prejuízo para o ano de 2026, abandonando a faixa de estimativa anterior que apontava para lucro. A mudança de cenário ocorre porque os elevados preços do combustível de aviação superaram os reajustes aplicados nas tarifas, comprimindo as margens de lucro da empresa.
Desde o início da guerra do Irã, as companhias aéreas elevaram consideravelmente os bilhetes com o objetivo de proteger suas margens. No entanto, nem essa medida foi suficiente para acompanhar a disparada no valor do querosene de aviação, enquanto o cenário volátil também tornou muito mais difícil prever os gastos futuros com o insumo.
Sem um término claro para o conflito, as empresas aéreas dos Estados Unidos enfrentam o desafio de calcular qual proporção da alta nos custos pode ser repassada aos passageiros por meio de passagens mais caras, sem que isso acabe desestimulando a demanda por viagens, que tem se mostrado firme até o momento.
Diante desse panorama, grandes concorrentes como a Delta Air e a United Airlines emitiram alertas de que a aviação comercial talvez precise encolher ainda mais sua oferta de assentos para conseguir preservar a capacidade de definir preços e manter os gastos sob controle.
No início deste mês, o presidente-executivo da Delta, Ed Bastian, alertou que as companhias aéreas talvez precisem restringir ainda mais o crescimento das operações no próximo ano para sustentar tarifas mais altas e proteger a lucratividade.
Conforme dados do Departamento do Trabalho, as tarifas aéreas nos EUA apresentaram alta média de quase 23% nos sete meses encerrados em setembro, na comparação com igual período do ano anterior.
Impacto financeiro e resultados trimestrais
Com a nova conjuntura, a American Airlines estima agora um prejuízo ajustado na faixa de US$ 1 (R$ 5,05) a US$1,60 (R$ 8,05) por ação. Anteriormente, a perspectiva da companhia oscilava entre um lucro de US$ 0,65 (R$ 3,27) e um prejuízo de US$ 0,65 (R$ 3,27) por papel.
No trimestre encerrado em setembro, a empresa contabilizou um prejuízo líquido de US$ 269 milhões (R$ 1,36 bilhão), o equivalente a US$ 0,41 (R$ 2,06) por ação. No mesmo período do ano passado, o prejuízo líquido havia sido de US$ 114 milhões (R$ 573,1 milhões), ou US$ 0,17 (R$ 0,85) por ação.
Apesar da retração no resultado líquido, a receita da companhia no trimestre avançou 19,3%, atingindo US$ 16,3 bilhões (R$ 82,1 bilhões), impulsionada diretamente pelos reajustes aplicados nas passagens.
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