A administração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva registrou, em levantamento divulgado nesta quinta-feira (22), o melhor patamar de avaliação desde dezembro de 2024. O saldo negativo do terceiro mandato do petista recuou para apenas 3 pontos percentuais, alcançando a menor distância entre avaliações positivas e negativas nesses quase dois anos de gestão e ficando ligeiramente acima do patamar de Jair Bolsonaro no mesmo período da campanha de 2022, que marcava 1 ponto negativo.
O cenário eleitoral, contudo, exige cautela. O histórico recente mostra que a direita tende a superar nas urnas o desempenho indicado pelas pesquisas na reta final, um fator que mantém o alerta ligado para o segundo turno da disputa presidencial.
Mudanças no cenário e avanço nas pesquisas
A recuperação na popularidade e o estreitamento da distância entre Lula e Flávio Bolsonaro (PL) apontam os reflexos de uma movimentação intensa da base governista desde o término do primeiro turno. O clima de urgência dentro da campanha levou a ajustes estratégicos e a uma presença mais ostensiva nas ruas e nas plataformas digitais.
Entre o levantamento do dia 8 de outubro e a publicação do Datafolha do dia 22, a vantagem de Flávio Bolsonaro sobre Lula diminuiu 2,3 pontos percentuais no panorama geral. Recortes demográficos evidenciam avanços expressivos do atual presidente:
* Jovens de 16 a 24 anos: recuo de 12,6 pontos na diferença; * Nordeste: queda de 8,6 pontos; * Eleitores com ensino médio: variação de 8,2 pontos; * Homens: redução de 5,8 pontos; * Interior do país: oscilação de 5 pontos; * Renda inferior a 2 salários mínimos: retração de 4,2 pontos.
Apesar de grande parte dessas oscilações permanecer próxima à margem de erro, analistas apontam a formação de uma tendência favorável ao petista impulsionada pela mobilização de militantes, apoiadores independentes e pela estratégia digital encabeçada pelo deputado federal reeleito André Janones (Rede-MG) com o “Exército de Lula”.
O despertar da militância e os erros do passado
O impacto recente evidenciou que a cúpula partidária precisou lidar com um despertar forçado. No início da gestão, lideranças governistas demonstrassem desconectadas da realidade política, ignorando o peso do centro, a distância entre o discurso tradicional da esquerda e as demandas cotidianas da população, além das dificuldades econômicas enfrentadas pelas famílias, como a inflação e o endividamento. A oposição digital do bolsonarismo também havia sido subestimada por uma estrutura acomodada que acreditava na facilidade da disputa.
Com o choque de realidade provocado pelo resultado do primeiro turno, o lulismo redescobriu a importância da articulação nas ruas e nas redes sociais, resgatando a essência da atuação de massas para tentar reverter o quadro na reta final da eleição.
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