Investigadores afirmam que Vorcaro usou financeira nas Bahamas como hub para esquema no exterior

Ex-banqueiro Daniel Vorcaro usou financeira nas Bahamas como hub

Mercados

Investigadores do caso Master identificaram que o ex-banqueiro Daniel Vorcaro usava a Mosaic, instituição financeira que administra fundos de investimentos com sede en Nassau, nas Bahamas, como um hub de distribuição de dinheiro no exterior.

O objetivo, segundo esses agentes, era remeter dinheiro ao exterior e distribuir recursos sem deixar rastros. O dinheiro também servia para comprar bens de luxo, como imóveis, jatinhos e iates, apurou a Folha.

Um grande volume de recursos do Master que passaram pela Mosaic foi enviado a Delaware, estado nos Estados Unidos que funciona, na prática, como um paraíso fiscal dentro do território americano. Empresas registradas no local não precisam divulgar, nos registros públicos, a identidade de seus sócios ou gestores.

Os investigadores afirmam que o fluxo de dinheiro que passou pela Mosaic foi superior ao que foi remetido ao Havengate, fundo também registrado nos EUA e administrado pelo advogado Paulo Calixto, alvo de investigações da Polícia Federal por receber dinheiro de Vorcaro para financiar o filme “Dark Horse”, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

A PF apura se os recursos que passaram pelo Havengate, cedidos por Vorcaro a pedido do candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL), foram de fato aplicados no filme ou se cobriram despesas de Eduardo Bolsonaro nos EUA.

A suspeita é de que a Mosaic também possa ter servido de ponte para o repasse de recursos do Master a beneficiários nos Estados Unidos. Os investigadores ainda trabalham para rastrear os beneficiários dos repasses feitos para Delaware e descobrir se as duas trilhas de remessa de dinheiro têm relação entre si.

Os agentes já sabem que Vorcaro acionou a Entre, empresa usada pelo ex-banqueiro para intermediar pagamentos no exterior, para movimentar recursos que passaram pela Mosaic.

O advogado de Antonio Carlos Freixo, dono da Entre, disse que estava impedido de qualquer manifestação fora dos autos por conta dos termos de um acordo de colaboração que ele fechou com a PGR (Procuradoria-Geral da República) e o STF (Supremo Tribunal Federal).

Segundo investigadores ouvidos pela reportagem na condição de anonimato, além de ter sido um canal para enviar dinheiro para o exterior, a instituição nas Bahamas também foi usada para trazer de volta parte dos recursos.

A suspeita é a de que, quando estourou o caso Master, Vorcaro tenha repatriado dinheiro para pagar advogados no Brasil, além de campanhas midiáticas contra o Banco Central e outros rivais.

Os recursos transferidos por Vorcaro via Mosaic foram congelados pelo liquidante do Banco Master, que contratou uma empresa internacional para fazer o rastreamento dos bens do ex-banqueiro desviados para o exterior.

Esse dinheiro é hoje alvo de um litígio entre a Mosaic e o liquidante do Banco Master na Justiça. O liquidante entende que o dinheiro de Vorcaro congelado na instituição deve ser usado para ressarcir os credores do Master e seus funcionários. A empresa das Bahamas, por sua vez, argumenta que os recursos devem ficar com a União.

O dinheiro de Vorcaro remetido ao exterior se tornou motivo de preocupação do entorno do ex-banqueiro após sua prisão, segundo diálogos revelados pela revista piauí.

Em uma conversa com uma mulher com quem manteve relacionamento extraconjugal, o empresário Fabiano Zettel, pastor da Igreja Lagoinha, cunhado e operador financeiro de Vorcaro, fala sobre a mobilização do ex-banqueiro, seus advogados e aliados durante o colapso do Master, segundo a publicação.

Zettel conta que Vorcaro enviou R$ 20 bilhões para fora do Brasil e que, diante da ofensiva das autoridades, não conseguia acessar esse dinheiro.

Investigadores afirmam também que o pai de Daniel Vorcaro, Henrique Vorcaro, cogitou utilizar recursos enviados à Mosaic para pagar dívidas trabalhistas no Brasil. O plano não avançou após a prisão de Henrique, em maio deste ano.

A Mosaic se apresenta em seu site como uma empresa sobre a qual, “por concepção, não se verá muita publicidade” porque foi “concebida para operar nos bastidores”.

Como mostrou a Folha, a EFB Regimes Especiais, liquidante do Master, apresentou à Justiça dos Estados Unidos detalhes sobre como o dinheiro de Vorcaro era utilizado fora do Brasil.

Os advogados do liquidante relataram as compras e tentativas de venda de quatro obras de arte avaliadas em quase US$ 20 milhões (R$ 103,9 milhões pela cotação atual).

Procurada na quarta-feira (21) por email, a defesa de Vorcaro não respondeu aos questionamentos da reportagem. A Mosaic não retornou os contatos da reportagem, feitos por telefone e por email.

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