Um jovem de 19 anos foi preso em flagrante na noite de quarta-feira (21) sob a suspeita de agredir, ameaçar de morte e manter a namorada, também com 19 anos, em cárcere privado por aproximadamente duas semanas dentro de um apartamento localizado em Ponta Grossa, no Paraná.
A ação policial teve início quando os pais da vítima, que residem em São Paulo, decidiram viajar até a cidade paranaense após estranharem a maneira como a filha vinha se comunicando. Conforme a Polícia Civil, a jovem respondia às mensagens de forma evasiva, recusava-se a exibir o rosto em chamadas de vídeo e precisava usar o telefone celular do companheiro para falar com os parentes.
Como a identidade do suspeito não foi revelada para proteger a vítima, a Polícia Civil informou que ele constituiu advogado, mas optou por ficar em silêncio durante o interrogatório. A identidade da defesa não foi divulgada.
Investigação e resgate
Conforme relatou a delegada Claudia Kruger, encarregada do caso, os familiares optaram por ir atrás da filha pessoalmente devido ao comportamento atípico. Ao chegarem a Ponta Grossa, eles iniciaram as buscas para descobrir o endereço do apartamento onde a jovem estava com o parceiro.
Após acharem o local, os pais chamaram a Guarda Civil Municipal e se dirigiram ao imóvel junto com os agentes. A delegada explicou que o suspeito tentou barrar a entrada da equipe logo no início e buscou evitar qualquer contato com a moça.
Os agentes da Guarda Civil Municipal conseguiram realizar a abordagem da vítima e notaram lesões no rosto, na cabeça e nos braços dela, além de indicativos de forte abalo emocional.
A jovem contou aos policiais que foi alvo de agressões constantes e ameaças de morte, além de ser proibida de deixar o apartamento e de se comunicar livremente com a família.
“O agressor não queria que ela fosse vista por outras pessoas, com essas marcas, conforme ela relatou, porque assim ele poderia ser denunciado”, afirmou Kruger.
O inquérito policial apontou ainda que o homem vigiava as conversas da namorada com os parentes e exercia controle sobre toda a comunicação dela durante o período em que permaneceu trancada no imóvel.
Desdobramentos legais
O investigado deverá responder criminalmente por cárcere privado e lesão corporal.
A reportagem enviou um e-mail ao Tribunal de Justiça do Paraná por volta das 17h desta sexta-feira (23) para verificar se o suspeito passou por audiência de custódia e se continua preso, mas não obteve retorno até o fechamento desta matéria.
Diante da situação, a Polícia Civil encaminhou um pedido de medida protetiva de urgência para resguardar a integridade da vítima.
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