Aldo e Mangabeira declaram apoio a Flávio Bolsonaro e pedem compromisso com soberania

Aldo Rebelo e Mangabeira Unger declaram apoio a Flávio Bolsonaro

Política

Ex-ministros dos governos petistas de Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff, Aldo Rebelo e Roberto Mangabeira Unger declararam apoio a Flávio Bolsonaro durante uma reunião com o candidato do PL na última quarta (21).

O encontro foi solicitado por Flávio e ocorreu no aeroporto de Jundiaí. “Fomos apresentar nossas opiniões sobre a eleição, o Brasil, retomada do crescimento, a desinterdição do país, a questão da Amazônia e da Defesa Nacional, o problema de política externa”, resumiu Aldo.

O ex-ministro, que foi pré-candidato à Presidência pelo DC e coordenador da campanha de Ronaldo Caiado (PSD), não quis dar mais detalhes da conversa. Disse apenas que Flávio ouviu, agradeceu a atenção, e afirmou que levará em conta as ideias dos convidados –ambos conhecidos por suas posições nacionalistas.

Aldo negou rumores de que tenha sido convidado para ocupar o ministério do Meio Ambiente em caso de vitória de Flávio, afirmando que não falaram sobre cargos no encontro. Apenas os três participaram da conversa, que durou cerca de uma hora.

Comunista histórico que nos últimos anos se aproximou da direita, Aldo foi presidente da Câmara dos Deputados e ministro da Coordenação Política do primeiro governo Lula e da Ciência e Tecnologia, da Defesa e do Esporte de Dilma. Mangabeira, professor da Universidade Harvard (EUA), foi ministro de Assuntos Estratégicos de Lula e Dilma.

Aldo foi um dos influenciadores de uma inflexão nacionalista no discurso de Eduardo Bolsonaro quando este almejava concorrer à Presidência.

Outras pessoas estiveram no encontro com Flávio em Jundiaí, mas não na reunião reservada entre os três. Uma delas foi o professor de filosofia Gustavo Castañon, amigo de Ciro Gomes (PSDB) e que já foi assessor do ex-governador do Ceará em campanhas.

“Eles [Aldo e Mangabeira] queriam apoiar o Flávio, mas também ouvir dele compromissos sobre preocupações que têm com a soberania nacional. Então falaram sobre política externa e ameaça à soberania, pedindo esclarecimentos e compromissos dele, alguns dos quais ele já fez em público”, relatou Castañon.

Indagado sobre o paradoxo de valorizar a soberania e apoiar um candidato tão alinhado ao governo Trump, o professor afirmou: “Nós já somos subordinados aos EUA. O governo Lula foi um governo do partido Democrata norte-americano até Biden perder a eleição. Não queremos ser subordinados nem aos Estados Unidos nem à China nem a ninguém. A gente quer um governo que cuide do interesse nacional”.

“Quando você recorre aos EUA através do partido Democrata e infesta o Brasil de ONGs que defendem interesse internacional ecologista na Amazônia, não existe nenhum problema. Mas na hora que se procura o Trump para o que quer que seja, para se articular politicamente, isso é uma entrega do país”, disse Castañon, que é professor titular de filosofia da UFJF (Universidade Federal de Juiz de Fora).

“Por mais alinhado, por exemplo, que o Bolsonaro tenha sido ao Trump, a gente não pode esquecer que quando faltou fertilizante no Brasil ele foi à Rússia resolver, foi sentar com Putin na época.”

Um dos aliados mais próximos de Ciro nos últimos anos, Castañon era filiado ao PDT, do qual se desfiliou recentemente. Ele disse que o ex-governador do Ceará está recolhido desde a derrota no primeiro turno para Elmano de Freitas (PT) no estado e que não fala por ele. Ciro foi procurado pela campanha de Flávio, mas não declarou voto no segundo turno.

Castañon justificou o apoio a Flávio nos seguintes termos: “Consideramos que o PT é uma organização antidemocrática, violenta, que tem feito política de maneira brutal e covarde, traidora, há 20 anos nesse país. Livrar o Brasil do PT por si só é um enorme benefício para o país e já justificaria o voto.”

“Vou ser chamado de bolsonarista agora pro resto da vida, tá tudo certo. Já contabilizei esse prejuízo. Mas a verdade é que não sou”, acrescentou o aliado de Ciro. “Passei dez anos tentando construir uma alternativa a essa loucura, essa polarização absurda, e não consegui. Agora, verdade seja dita, nosso principal adversário nesse tempo todo, quem realmente nos perseguiu, foi o PT. Os bolsonaristas nunca fizeram nada contra nós.”

What do you feel about this post?

0%
like

Like

0%
love

Love

0%
happy

Happy

0%
haha

Haha

0%
sad

Sad

0%
angry

Angry

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *