Caso Ana Clara e fala sobre 'nove dedos' marcam último debate entre Lula e Flávio; veja como foi em 10 pontos

Último debate tem caso Ana Clara e fala sobre nove dedos

Política

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) protagonizaram nesta sexta-feira (23) o último debate da TV Globo antes do segundo turno das eleições. Sob a mediação de César Tralli, o encontro foi estruturado em três blocos com temáticas definidas e um bloco de assunto livre, combinando propostas gerais com intensos ataques pessoais entre os candidatos.

Pesquisas divulgadas recentemente pelo Datafolha na quinta-feira (22) apontam um cenário de total empate técnico na disputa, com ambos registrando 50% dos votos válidos cada um, excluindo-se os brancos, nulos e indecisos.

Discussões sobre segurança e o caso Ana Clara

Durante o debate sobre retomada de territórios, o presidente Lula resgatou o caso de Ana Clara, uma menina de cinco anos que foi vítima fatal de um tiro de fuzil em Niterói durante o ano de 2021. A mãe da criança acompanhava o evento diretamente da plateia do estúdio. O senador Flávio Bolsonaro, que integrou a equipe de defesa do policial militar apontado como autor do disparo quando já exercia o mandato de senador — processo que ainda aguarda julgamento —, dirigiu-se diretamente à mãe da vítima.

“Ana Clara, eu quero falar para a senhora, prestar de verdade a minha solidariedade. Foi uma tragédia o que aconteceu. Não consigo imaginar o que é perder uma filhinha de 5 anos de idade. Eu tenho uma filha de 14 e uma filha de 12”, disse o senador.

Em resposta, o chefe do Executivo recuperou discursos anteriores de Flávio na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, material já empregado na propaganda televisiva da campanha petista, nos quais o adversário relativizava a atuação das milícias fluminenses.

Polêmica dos nove dedos e pedidos de desculpa

No decorrer do segundo bloco, o parlamentar do PL pediu desculpas por ter declarado anteriormente que o presidente concede benefícios com uma mão e retira com “os nove dedos”. O titular do Planalto rebateu a provocação afirmando que perdeu o dedo em um acidente de trabalho aos 17 anos de idade, além de classificar o oponente como grã-fino e miliciano — pecha que voltou a repetir nas considerações finais do programa.

Ainda no segundo bloco, Lula questionou o histórico legislativo do adversário no Rio de Janeiro, indagando o motivo pelo qual Flávio foi o único deputado estadual a votar contrariamente à expansão da licença-maternidade. O candidato do PL admitiu o erro do passado: “E eu tava errado”, afirmou, justificando que na época acreditava que a medida pudesse dificultar empregos para mulheres.

Relações e trocas de acusações sobre o caso Vorcaro

O bloco de tema livre esquentou com discussões acerca de recursos financeiros envolvendo Daniel Vorcaro, proprietário do antigo Banco Master. Lula cobrou esclarecimentos sobre os R$ 134 milhões solicitados por Flávio para financiar um filme focado em Jair Bolsonaro (PL). “Quem é filhote do Vorcaro é você”, disparou o petista.

O senador não detalhou o montante, mas argumentou que relatórios da Polícia Federal atestam a ausência de dinheiro público na produção cinematográfica, com os valores sendo direcionados integralmente aos custos do projeto. Em contrapartida, Flávio exibiu um áudio divulgado pela revista Veja no início do mês, atribuído ao ex-banqueiro, que mencionava o repasse de R$ 30 milhões a um documentário ligado ao presidente. A Polícia Federal, contudo, negou que Vorcaro tenha prestado depoimento ou entregue documentos sobre o tema em sua tentativa de delação premiada.

O embate seguiu com acusações cruzadas sobre presentes de luxo, menções a sigilos de cartões corporativos, trocas de questionamentos sobre a compra de imóveis e denúncias envolvendo ilhas em Angra dos Reis e o jogador Richarlison.

Segurança pública, bets e economia

No campo da segurança pública, Flávio prometeu classificar organizações criminosas como PCC, Comando Vermelho e milícias sob o status de narcoterroristas, estabelecer pena mínima de oito anos para roubo de celulares, reduzir a maioridade penal para 14 anos em casos de estupro e aplicar a castração química para condenados por esse crime. Lula, por sua vez, defendeu a criação de um Ministério da Segurança Pública caso a PEC da Segurança seja aprovada, além do fortalecimento da Polícia Federal e da Polícia Rodoviária Federal.

A pauta econômica e o impacto das apostas online também dominaram o confronto. Flávio chamou Lula de “o pai do Tigrinho”, enquanto o presidente argumentou que o jogo foi instituído durante a gestão bolsonarista em 2022. No âmbito social e de renda, os candidatos debateram a preservação de políticas de valorização do salário mínimo, propostas para o saneamento de endividamento familiar — com menções aos programas Desenrola e a propostas de compra de dívidas bancárias —, além de visões divergentes sobre o Sistema Único de Saúde (SUS) e o modelo econômico adotado na Argentina sob Javier Milei.

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